Ceará tem 4,57 mi na linha da pobreza - Negócios - Diário do Nordeste

Renda deste contingente equivale a R$ 154 por mês

Ceará tem 4,57 mi na linha da pobreza

23.09.2006

O Ceará possui 4.570.485 pessoas vivendo na chamada linha de pobreza — com renda equivalente a R$ 154,36 por mês — o que representa aproximadamente 56,38% da população residente no Estado.

Com isso, registra a 6ª maior proporção de pobres entre as 27 unidades da Federação, perdendo apenas para Alagoas, Maranhão, Piauí, Pernambuco e Bahia. Na linha de indigência, encontram-se 2.287.855 de cearenses (29,46% da população total), que conseguem sobreviver com R$ 77,18 mensais.

Os valores são considerados insuficientes para que o indivíduo adquira as calorias mínimas necessárias para se manter vivo, levando em conta uma cesta regionalizada de produtos.

RECUO - Apesar de elevado, o número absolutos de pobres no Estado caiu 5,61% entre 2004 e 2005. Isso representou a saída de 271.848 pessoas da linha de pobreza. Comparativamente, o Ceará conseguiu reduzir mais o número de pobres que o Nordeste (-3,09%) e o Brasil (-4,49%) em um ano. Com o desempenho, o Estado ficou na 11ª posição no País entre as unidades da federação em redução da pobreza.

Nos últimos três anos, porém, a diminuição absoluta foi praticamente inexistente (-0,60%), contra -1,35% para o Nordeste e -0,22% para o País.

As informações fazem parte do “Relatório Sintético Sobre a Evolução dos Indicadores de Pobreza e Desigualdade no Ceará”, elaborado pelos pesquisadores Flávio Ataliba Barreto e Carlos Alberto manso, do Laboratório de Estudos da Pobreza (LEP), do Curso de mestrado em Economia (Caen), da Universidade Federal do Ceará (UFC). Para elaborar o levantamento, eles utilizaram dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2005, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os pesquisadores chamam atenção para a redução na proporção de pobres entre o total da população cearense saiu de 59,24%, em 2002, para 56,38%, no ano passado — uma redução de 2,86 pontos percentuais. “No entanto, ainda é um desafio para os governos a redução da pobreza no Estado, tendo em vista que mais da metade da população se encontra num patamar de renda insuficiente para suprir suas demandas nutricionais”, comenta Ataliba, que coordena o LEP.

De 2004 para 2005, a proporção de pobres caiu 4,16 pontos percentuais, passando de 60,54% dos habitantes para 56,38%.

Ataliba e Manso reforçam que em proporção de pobres o Nordeste está disparadamente na frente das demais regiões. Basta dizer que dos 11 piores resultados, nove são estados nordestinos. Na outra ponta, Santa Catarina aparece como o estado que tem a menor proporção de pobres no Brasil, com 14% da sua população nessa condições, seguido por São Paulo, com 20%. “Mas 20% de pobres em São Paulo é um contingente considerável”, pondera Manso.

INDIGÊNCIA - O total absoluto de indigentes no Estado caiu 4,45% de 2004 para 2005. Significou menos 111.319 pessoas na condição de miséria. Um desempenho bem abaixo do verificado para o Nordeste (-7,52%) e Brasil (-7,51%). Em termos de ranking, o Ceará foi o 18º em diminuição da indigência no País. De 2002 para 2005, a queda no número de miseráveis locais foi de 2,64%, contra -8,45% para o Nordeste e -6,31% para o Brasil. “Reduzimos o número de indigentes com menos intensidade que o de pobres”, reforça Ataliba.

A proporção de indigentes entre a população total do Estado recuou de 31,60%, em 2002, para 29,46%, no ano passado, ou seja 2,14 pontos percentuais. Apesar disso, no ranking nacional, o Estado saiu da 21ª posição em percentual de indigentes para 22º. “Equivale a dizer que também ocupa a 6ª posição em maior proporção de indigentes no Brasil”, diz Manso, acrescentando que em pior situação estão Alagoas, Piauí, Maranhão, Pernambuco e Acre.

Samira de Castro





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