2ª VEZ CONSECUTIVA

Ceará lidera a expansão no emprego industrial, diz IBGE

01:20 · 10.04.2010
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Avanço de fevereiro foi impelido pelas contratações nos setores calçadista e alimentício

Após liderar o crescimento no emprego em janeiro, a indústria cearense se manteve à frente das demais no aumento de contratações em fevereiro, avançando 8,5% no confronto com igual período do ano passado, apontou a Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (Pimes), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A acentuada elevação foi impulsionada, segundo a pesquisa do instituto, pelos segmentos de calçados e couros - com incremento de 24,9% - e alimentos e bebidas (7,5%). Munido pelos recentes avanços, o acumulado no ano ficou em 7,2%, deixando o Estado com a maior marca do País e anotando larga vantagem sobre o segundo colocado, a Bahia, que acumulou, nos dois primeiros meses de 2010, uma taxa de 3,4%.

Resultado acumulado

No índice que mede o desempenho nos últimos 12 meses, o Ceará foi o único a apresentar variação positiva (1,3%). O porcentual ainda é afetado pelos números negativos de 2009, quando a crise financeira ainda pairava pelo mundo.

No indicador de horas pagas, a indústria cearense também obteve o resultado mais impactante do Brasil, com crescimento de 7,9% em fevereiro.

Mais vagas pelo País

Recuperando-se da queda de 1,1% registrada em janeiro e dos números proporcionados pela crise, o emprego industrial brasileiro mostrou o primeiro resultado positivo desde novembro de 2008, com crescimento de 0,7% em fevereiro.

Ainda assim, o índice do primeiro bimestre permanece negativo (-0,2%). No acumulado dos últimos 12 meses, o IBGE apontou taxa negativa de 4,8%. No comparativo com o mês imediatamente anterior, o País registrou evolução de 0,6% em fevereiro. Além dos bons números cearenses, a indústria de São Paulo influenciou fortemente nas contratações nacionais. O incremento paulista foi de 1,4%. Outro motivador da elevação nacional foi a região Nordeste, que cresceu 2,9%. Por outro lado, as áreas que motivaram negativamente foram Minas Gerais (-1,2%) e Paraná (-1,4%), pressionadas, respectivamente, pelas reduções nos setores de vestuário (-25,8%) e alimentos e bebidas (-4,3%). Setorialmente, o emprego industrial avançou em 12 dos 18 ramos analisados pelo IBGE, com destaque para papel e gráfica (8,2%), têxtil (4,6%) e calçados e couro (3,2%). Em sentido oposto, madeira (-12,5%) e vestuário (-3,4%) exerceram as principais influências negativas.

Para o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, o resultado apresentado pela indústria brasileira representa um marco histórico. "A economia está crescendo em ritmo consistente, principalmente a indústria. Vamos gerar mais de 2 milhões de empregos formais neste ano", declarou.

Opinião do especialista
Retomada da economia é evidenciada

FRANCISCO LIMA MATOS

Economista e diretor da Fiec

O crescimento da mão de obra industrial demonstra que está havendo uma retomada da economia cearense. 2009 foi um ano de reequilíbrio das atividades. Nesse ano, o Ceará começa já mostrando estar completamente recuperado daquela crise financeira internacional. Especificamente no setor de calçados, somos fundamentalmente exportadores e, como no início do ano passado a demanda caiu e a produção teve que acompanhar, e agora em 2010, já com há uma retomada na demanda internacional, pudemos começar a registrar um crescimento mais punjente. Na área de alimentos, basicamente o que temos tido é uma recuperação do poder aquisitivo das pessoas das classes C e D, aliado ao reajuste do salário mínimo e às medidas tomadas pelo governo federal que ajudaram a resgatar o poder de compra. Na verdade, o crescimento da renda dessas pessoas é que contribui para esses resultados positivos na indústria cearense. Também tem o fato de que, no Brasil, passamos os últimos messes com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sendo aplicada a vários setores e, depois que isso foi tirado, as pessoas retornaram ao consumo cotidiano.

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