Em sete meses

CE: varejo é quem mais contrata em 20 ocupações

Foram 13.158 vendedores admitidos de janeiro a julho no Estado, um crescimento de 5% ante ano anterior

01:00 · 27.08.2018 por Lígia Costa - Repórter

Ainda que em meio a um cenário adverso, no qual a economia segue em lenta retomada e o desemprego bate à porta de milhares de brasileiros, as empresas cearenses continuam recrutando com maior intensidade para algumas atividades. Levantamento realizado pelo Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (Sine/IDT), a pedido do Diário do Nordeste, referente aos sete primeiros meses deste ano, elencou os 20 profissionais mais demandados.

> No Brasil, tecnologia dá as novas diretrizes do mercado

Vendedor, servente de obras e auxiliar de escritório em geral, foram as ocupações mais buscadas pelas empresas cearenses. O total de pessoas admitidas como vendedores no varejo local, no período em questão, foi de 13.158, número 5,04% superior aos 12.526 registrados nos sete primeiros meses do ano passado. A remuneração para um profissional da área varia de R$ 1.019,70 a R$ 1.069,10, mais comissões, informa o Sindicato dos Comerciários de Fortaleza.

Em segundo lugar, vem a procura por serventes de obras, para os quais foram disponibilizadas 11.059 vagas, quantidade que supera em 5,13% aquela registrada em 2017, com 10.519 oportunidades. Hoje, a remuneração média para um servente no Ceará é de R$ 957,91, estima o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Ceará (Sinduscon-CE).

A busca por pessoas que desempenhem a função de auxiliar de escritório, em geral, também avançou (9,2%), passando de 8.017 admissões para 8.757, de janeiro a julho de 2017, ante igual período de 2018.

Assistente administrativo (8.346 vagas), alimentador de linha de produção (5.580), faxineiro (5.536), operador de caixa (5.242), pedreiro (4.954), recepcionista, em geral (4.018) e porteiro de edifícios (3.775) complementam o ranking das 10 ocupações mais demandadas neste ano no Estado.

Os dados levantados pelo (Sine/IDT) tiveram como base no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho. Verifica-se que, em âmbito estadual, as profissões que mais contrataram têm nível profissionalizante e técnico de qualificação.

De acordo com o coordenador de Estudos e Análises de Mercado do IDT, Erle Mesquita, as principais ocupações que lideram o ranking se mantiveram praticamente as mesmas, considerando o recorte de tempo em 2017 e 2018.

1

"O comércio e o setor de serviços são aqueles que requerem a maior quantidade de trabalhadores, que exigem mão de obra intensiva. Por conta da estrutura econômica, onde mais da metade dos empregos são no setor terciário, são os que mais admitem", afirma Mesquita.

Por outro lado, ele afirma que os setores mais abertos à admissão são também aqueles que sofrem com a maior rotatividade no mercado de trabalho. De janeiro a julho de 2018, por exemplo, foram admitidos mais de 13 mil vendedores no comércio, mas também foram desligados mais de 15 mil, o que resultou em um saldo negativo de 3.323.

Estigma

Diante dos resultados, Erle Mesquita alerta como necessário eliminar o "estigma" de que os Sines ofertam apenas vagas voltadas para quem não tem um alto grau de qualificação. Se trata apenas de um reflexo do mercado, defende. Ele acrescenta que muitas pessoas deixam de procurar os Sines imaginando que não irão encontrar ocupações com maior salário ou que exijam maior nível de escolaridade. Existem, mas em menor volume. "Quem está segurando o emprego no Ceará hoje é o setor de serviços", conclui.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.