Câmbio pressiona setor de couros
Envio de cargas para o exterior no primeiro semestre manteve-se estável em volume, mas quantia recuou 14,3%
Embora a quantidade de couros e peles exportados pelo Ceará neste ano tenha apresentado alta de 5,7%, no acumulado de janeiro a julho, o valor em dólares registrou queda de 14,3%, em relação ao mesmo período do ano passado. De janeiro a julho deste ano, as exportações do setor somaram US$ 51,1 milhões, com 3 mil toneladas, enquanto no mesmo período do ano passado, o valor havia sido de US$ 59,7 milhões, com 2,9 mil toneladas. Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic).
Entre os motivos para a queda está a alta da moeda americana no período, que permitiu aos importadores comprar uma maior quantidade do insumo com menos dólares. "São vários os fatores que contribuíram para essa queda. Tivemos essa variação cambial, mas também houve oscilações de mercado, porque são diferentes tipos de produtos que nós exportamos, diz Roseane Medeiros, delegada do Sindicato da Indústria de Curtimento de Couros e Peles no Estado do Ceará (Sindicouros-CE).
Expectativa
Nos primeiros sete meses deste ano, o segmento de couros e peles foi o segundo principal da pauta de exportações do Ceará. O valor exportado pelo setor vinha crescendo desde 2011, mas caiu 29,6% em 2015. E segundo a presidente do Sindicouros-CE, Márcia Oliveira Pinheiro, a expectativa é de que este seja mais um ano de queda.
"Neste ano, devemos ter queda tanto na produção como nos embarques. Mas esperamos uma recuperação para o próximo ano, saindo da crise devagar. Mas ainda é difícil fazer qualquer avaliação de longo prazo", ela diz. Além do câmbio, a queda da demanda por couros no mercado internacional também tem afetado o resultado das exportações cearenses, que correspondem a cerca de 80% de toda a produção do Estado.
O mercado europeu, principal importador de couros e peles cearenses, ainda se recupera de uma crise econômica e vem importando volumes menores do que em anos anteriores.
"Embora a gente também exporte para países d a Ásia, como a China, onde é feita a manufatura do couro, a Europa é o destino final desses produtos. No entanto, a economia dos países europeus ainda não se recuperou. Com isso, as empresas exportadoras do Ceará não estão trabalhando com 100% da capacidade", afirma a delegada do Sindicouros-CE.
Brasil
Com relação ao mercado brasileiro, Medeiros diz que a retração das indústrias automobilística e moveleira, principais consumidores do produto no País, também vem pressionando o setor de couros. "Esse setores vinham apresentando bons resultados nos últimos anos, mas agora estão em dificuldades e demandando menos. Além disso, a indústria de calçados femininos vem utilizando substitutos do couro", ela diz. "Embora o cenário hoje seja de otimismo, ele ainda é muito preocupante", avalia.
Ceará
Quanto ao couro de caprinos e ovinos produzido no Ceará, a redução da produção continua sendo motivada pela seca. "A queda da nossa produção não é recente, ela vem caindo há bastante tempo", diz Medeiros. "Hoje a nossa maior preocupação é com essa questão da transposição do São Francisco", acrescenta. As principais regiões afetadas pela seca são a dos Inhamuns, Cariri e Sertão Central.