CEARÁ pode ser afetado

Caixa pretende fechar 100 agências no País

Banco visa alcançar um lucro de R$ 9 bilhões em 2018 com medidas, que incluem a venda de imóveis próprios

Em 2018 até abril, a Caixa foi o banco, entre os públicos, que mais desligou funcionários (24 funcionários) ( FOTO: HELENE SANTOS )
01:00 · 16.05.2018

Fortaleza/Brasília. Com 175 demissões e uma agência fechada no Ceará em 2017, a Caixa deve ver estes números crescerem neste ano com sua meta de lucro de R$ 9 bilhões em 2018. Para atingir esse patamar, o banco pretende encerrar as atividades de 100 agências no País cujas operações são consideradas insustentáveis ou que disputam clientes em endereços muito próximos. Até o fechamento desta edição, a Caixa Econômica não detalhou se entre as unidades a serem desativadas há alguma no Ceará.

A meta de lucro da Caixa deve ser alcançada graças a um corte de custos operacionais de R$ 2,6 bilhões. Boa parte do enxugamento virá do fechamento das agências no território nacional. Outra fatia deve ser proveniente da venda de imóveis próprios da Caixa, que deve gerar outros R$ 500 milhões.

A Caixa Econômica Federal foi o banco público com a menor quantidade de agências encerradas no Ceará em 2017, de acordo com dados do Sindicato dos Bancários do Ceará. A instituição financeira pública que mais fechou unidades no Estado foi o Banco do Brasil. O banco passou por reestruturação que incluía o encerramento de 402 agências e aposentadoria de até 18 mil funcionários em todo o Brasil. Do Banco do Nordeste, foram quatro agências encerradas.

Em 2017, entretanto, a Caixa foi o banco público com maior número de desligamentos (175). O Banco do Nordeste demitiu 90 funcionários e o Banco do Brasil teve 26 desligamentos no Ceará. Em 2018, a Caixa também já é a instituição, entre as citadas, que mais demitiu: foram 24. O Banco do Brasil aparece em seguida, com 20 desligamentos e o Banco do Nordeste teve uma demissão. Os dados levam em consideração as demissões no sindicato no Ceará neste ano até o mês de abril.

Evento

O presidente do Sindicato dos Bancários, Carlos Eduardo Bezerra, destacou que a medida - que ele considera de "enfraquecimento da Caixa" - será anunciada oficialmente hoje (16), no estádio Mané Garrincha, em evento no qual o banco "vai gastar alguns milhões levando seis mil gerentes, contratando ex-jogadores de futebol para fazer palestras e até artistas musicais".

"(Isso) para dizer que vai reduzir a participação dos lucros em 25%, fechar 100 agências e vender imóveis próprios", diz Carlos Eduardo Bezerra, acrescentando que "isso significa que vai piorar o atendimento à população e enfraquecer a instituição. Ainda vão fazer um mega evento para anunciar", ressalta o presidente do Sindicato dos Bancários.

Para Bezerra, a Caixa deixa de cumprir seu papel de atender a população ao reduzir o número de agências. "Principalmente o povo nordestino, as pessoas mais atingidas pela desigualdade social, vai sofrer com isso. Vai dificultar o acesso à políticas públicas, como o Minha Casa, Minha Vida; seguro-desemprego, entre outros", relata.

No ano passado, a Caixa já tinha efetuado uma redução de quase 10 mil funcionários por meio de seu Plano de Demissão Voluntária (PDV). "Não nos foi repassado como ficará a situação dos funcionários que serão afetados pelos novos fechamentos, nem sobre prazos ou quantas agências do Ceará entram no pacote", arremata Bezerra.

Com o fechamento das unidades, o banco passará a possuir 4,1 mil agências. A meta foi aprovada em reunião do Conselho na última quinta-feira (10) e deve ser anunciada hoje, durante evento no Estádio Mané Garrincha. A ideia é transmitir aos gestores que a instituição, daqui para a frente, terá que atuar com uma independência maior do governo federal. A nova postura começa a incomodar funcionários. A Fenae (federação das associações de pessoal da Caixa) divulgou nota de repúdio ao que classificou como "desmonte" da instituição financeira.

"Se debater medidas que significam o enfraquecimento da Caixa é inadmissível, fazê-lo em um megaevento financiado com dinheiro público chega a ser deboche", afirmou a entidade, por meio de nota. (Com informações dos repórteres Maeli Prado e Julio Wiziack, da Folhapress).

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