AFIRMA MEIRELLES

Caixa: governo prepara a abertura de capital

Ex-ministro da Fazenda do governo Michel Temer defende modelo de participação privada em empresas estatais

01:00 · 07.06.2018
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O agora pré-candidato à Presidência da República evita falar em "privatização clássica", alegando cuidado de manter um mercado competitivo em vigor, evitando, por exemplo, monopólio ( FOTO: ALEX PIMENTEL )

Brasília. O ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB) afirmou ontem (6) que a Caixa Econômica Federal está sendo preparada para iniciar um processo de abertura de capital e venda de parte da empresa para a participação privada, modelo que também defende para a Petrobras e o Banco do Brasil (BB).

"A Caixa está sendo preparada para isso, com o novo estatuto e etc. Com o tempo, podemos até pensar, sim, em abrir o capital da Caixa, começar a vender participação privada", disse Meirelles durante sabatina realizada com pré-candidatos ao Planalto promovida pelo jornal Correio Braziliense.

O ex-chefe da equipe econômica de Michel Temer, e fora do cargo desde 6 de abril, evita falar em "privatização clássica" para a Petrobras e os bancos públicos, mas defende maior participação do setor privado nessas empresas estatais, com o cuidado de manter um mercado competitivo em vigor.

Meirelles disse ainda que não é solução vender a Petrobras para um único comprador ou o Banco do Brasil - que hoje já tem acionistas na Bolsa - para uma instituição financeira privada, o que geraria o chamado monopólio privado que, na sua avaliação, "é um perigo".

A proposta, segundo o ex-ministro, é fazer a pulverização e abertura de capital das empresas de maneira gradual. Ele diz que a União não precisaria, necessariamente, perder o controle político das instituições no processo, mas que é preciso aumentar a competição do setor.

Combustível

Questionado sobre como resolver a alta do preço dos combustíveis, que gerou a greve dos caminhoneiros e a consequente crise do desabastecimento no País, no fim do mês passado, Meirelles voltou a propor a criação de um fundo de estabilização com o objetivo de equilibrar o preço da gasolina nas bombas dos postos de combustíveis.

Segundo ele, é preciso preservar a política de preço da Petrobras, mas a questão dos impostos pode subir ou descer em função do preço do petróleo e, dessa forma, é necessária uma compensação, que viria com o fundo.

"A política de preço da Petrobras não pode e nem deve ser controlada. Isso é uma coisa. Outra é o preço na bomba, que aí tem a parcela dos impostos. O fundo poderia ser usado para compensar a queda (dos preços)", explicou. Em entrevista ao Estadão, no último fim de semana, Henrique Meirelles destacou que quer retirar de sua pré-candidatura à Presidência da República o "rótulo" de candidato do governo e do mercado.

Representação

Ele disse que sua candidatura não "representa especificamente" o governo de Michel Temer e, sim, seu currículo pessoal e sua atuação na iniciativa privada e no setor público.

"Estou tirando o rótulo. Por exemplo, não sou o candidato do mercado, não sou o candidato do governo, não sou o candidato de Brasília. A minha proposta é a proposta do meu histórico", afirmou Meirelles. "Não estou tentando tirar um rótulo. Estou tentando tirar qualquer rótulo que não seja a minha proposta, meu histórico", disse.

O que eles pensam

Proposta para o banco gera divergência

"Fizemos ampla campanha ano passado, denunciando esse modelo, essa tentativa do governo Temer e aliados, de querer retirar dos brasileiros a empresa bancária que atende a população pobre do País. Somos totalmente contrários e vamos brigar, esclarecer a população brasileira, do risco que corre, de se querer fazer essa tentativa"

Marcos Saraiva
Diretor do Sindicato dos Bancários do Ceará

"Vejo com bons olhos, desde que o processo seja feito de forma adequada, tendo marco regulatório adequado, seja discutido, tenha esse viés de ver no mercado como vai ser feita a venda. O ideal é incentivar e modernizar o mercado. E pelo que vi, o Estado ainda vai continuar sendo acionista da Caixa, se é que ela vai ser vendida"

Afonso de Deus
Especialista em Economia e membro do Ibef

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