rebaixamento da Standard & Poor's

Buscar recursos fora sairá mais caro

Para o economista Ricardo Coimbra, instituições que captam crédito no exterior terão mais dificuldades
01:00 · 13.01.2018

O rebaixamento da nota do País pela Standard & Poor's, na noite de quinta-feira, não é injustificado e já era esperado pelo mercado. Analistas acreditam que o movimento pode até ser um incentivo para que os parlamentares aprovem a Reforma da Previdência, embora achem difícil que isso aconteça. Com relação à mudança no rating das instituições financeiras, serão afetadas as que captam recursos fora do Brasil, pois isso agora poderá ficar um pouco mais caro e, consequentemente, poderá ser repassado aos clientes brasileiros.

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"O mercado de crédito mundial serve para suprir as necessidades de empréstimos. Se, por exemplo, o Banco do Brasil não está conseguindo captar esses recursos no mercado interno, ele capta lá fora, vinculando as futuras operações com a captação que ele está fazendo agora. Mas quando ele for buscar nos bancos internacionais, isso vai sair um pouco mais caro, e aí talvez ele tenha que repassar esse custo (para os clientes Brasil) Vai depender se vai haver uma política do Ministério da Fazenda nesse sentido", explica o economista Ricardo Coimbra.

Gustavo Loyola, sócio-diretor da Tendências Consultoria Integrada e ex-presidente do Banco Central, avalia que embora esperado, o rebaixamento terá impacto no mercado porque os investidores vinham desde o fim do ano passado com um certo clima de euforia auxiliado pelo cenário externo favorável.

"A percepção é que as chances de aprovação (da reforma da Previdência) são muito limitadas", afirmou o economista, ressaltando que torce para o texto passar no Congresso, embora esteja pessimista. Além disso, o confuso cenário eleitoral contribui para deixar as perspectivas mais complicadas, conclui Loyola.

Para o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, a decisão da agência de classificação de risco faz sentido, uma vez que a probabilidade de a reforma da Previdência passar no Congresso, mesmo em fevereiro, é muito reduzida. "O mercado, em tese, já era para ter precificado que a aprovação não ia acontecer. Por isso, acredito que a reação não deve ser nada muito grandiosa ou intensa", disse ele, que acredita na votação das regras sobre a aposentadoria apenas no próximo governo.

"O rebaixamento do País poderia servir, em alguma medida, de incentivo para que os parlamentares se atentassem da importância da reforma da Previdência, mas o impacto do corte do rating do Brasil deve ser nulo", diz o ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman. "As agências de risco são de uma inutilidade atroz. Há formas mais eficientes de se medir o risco País", avalia.

Movimento político

O professor da Universidade de Brasília (UnB) José Luís Oreiro disse achar curioso que esse movimento da Standard & Poor'socorra justamente após a economia brasileira começar a dar sinais de que estava deixando a recessão para trás.

"A gente não pode descartar um movimento político, de que essa redução seja usada para pressionar os parlamentares para votar pela aprovação da reforma da Previdência em fevereiro, mas esse movimento seria inócuo. Essa crise do Ministério do Trabalho mostra que o governo Temer não tem força para fazer a reforma".

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