PREGÕES NO EXTERIOR

Brasileiros participam mais de leilões de arte

01:40 · 27.04.2010
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Para aproximar o público cearense do universo dos leilões, a Sotheby´s realiza palestra hoje na Unifor

Tramita no Congresso um projeto para flexibilizar as taxas de exportação e importação de obras de arte no Brasil. O motivo é a expansão observada, a cada ano, do número de brasileiros participando de leilões especializados. Entre quadros e esculturas, passando por joias e tapetes raros, o interesse dos brasileiros tem sido notado nas redes internacionais de casas de leilão, o que já é refletido num trabalho de aproximação e difusão de informações para potenciais compradores daqui.

"A legislação brasileira de importação e exportação de obras de arte ainda é um entrave para que sejam realizados leilões de peças no País. As taxas podem chegar a 45%, enquanto na Europa esse índice é de 5%. A flexibilização dessas taxas pode transformar o mercado local, fazendo as mercadorias circularem mais e terem mais liquidez", argumenta Katia Mindlin Barbosa, representante da tradicional casa britânica de leilões Sotheby´s no Rio de Janeiro.

Segundo ela, a atual legislação prejudica que a arte brasileira ganhe maior representatividade no mundo e alija potenciais compradores no País. "Mesmo com essas dificuldades, percebemos no Brasil um grande mercado. É uma nação grande, com presença artística e cultural intensa, mas ainda longe das matrizes de comercialização de obras de arte, como Londres, Nova York, Paris, Hong Kong e Genebra. A Sotheby´s enxerga o potencial brasileiro, por isso temos escritórios no Rio de Janeiro e em São Paulo, além de promover palestras em outras cidades", afirma Katia.

Palestra na Unifor

Para aproximar o público cearense do universo dos leilões de arte, Katia e a vice-presidente, diretora da América Latina da Sotheby´s, Maria Bonta de la Pezuela, ministram palestra hoje, às 18h30, na Unifor.

"Nossa intenção é desmistificar, mostrando que a Sotheby´s é acessível e que pode ser tomada como fonte de informação através dos catálogos e exposições que realizamos. Esta palestra será bem divertida, sobre recordes e coisas pitorescas que fogem do perfil do mercado. Será abordado, por exemplo, como fizemos a venda de um dinossauro", adianta. A escolha de Fortaleza foi justificada por ser a Capital de um Estado de forte identidade cultural e mercado promissor, com índices econômicos positivos refletidos no crescimento recorde do PIB.

A visão de abrir canais com outros mercados não é imediatista na Sotheby´s, que abriu as portas em 1744 e hoje atua como pioneira e líder internacional em leilão de artes. Atualmente, a casa comercializa mais de 40 categorias de peças. Em fevereiro deste ano, bateu o recorde da obra de arte mais cara já leiloada. A escultura em bronze de "L´Homme qui Marche", de Alberto Giacometti, foi vendida por US$ 104,32 milhões. A receita bruta da casa de leilões foi prejudicada pela crise em 2009, fechando em US$ 2,3 bilhões, ante os US$ 5 bilhões de 2008. "Mas a retomada já é certa. Pelo que temos percebido, neste ano vamos ultrapassar, sem maiores dificuldades, o patamar de 2009", conclui Katia.


GUTO CASTRO NETO
REPÓRTER

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