swap cambial

BC leiloa mais US$ 1,5 bi para conter alta do câmbio

01:00 · 01.09.2018
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Semana foi marcada por turbulências no exterior e também pelas especulações sobre as eleições presidenciais entravam para causar tumulto no mercado financeiro. O Banco Central precisou intervir no mercado mais de uma vez

São Paulo. O Banco Central voltou a intervir, nessa sexta-feira (31), no mercado, como prometido, realizando um swap cambial de linha (venda futura da moeda norte-americana com garantia de recompra) no valor de US$ 1,5 bilhão. A intervenção contribuiu para que o dólar comercial encerrasse a sexta-feira com queda de 1,73%, cotado a R$ 4,0730.

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No pregão, o euro também fechou a sexta-feira em queda, com recuo de 1,53%, cotado a R$ 4,796. Já nas casas de câmbio de Fortaleza, a cotação do dólar turismo variou de R$ 4,30 a R$ 4,35, enquanto a do euro foi de R$ 4,90 a R$ 4,98.

'Mês do cachorro louco'

Uma expressão tem sido recorrente entre profissionais do mercado financeiro para definir agosto: foi o mês do cachorro louco. Levantamento de Einar Rivero, da empresa de informações financeiras Economatica, mostra que o dólar médio de mercado calculado pelo Banco Central - o chamado dólar Ptax- registrou a maior valorização sobre o real para um agosto desde o Plano Real (1994).

O avanço em 2018 foi de 10,13%, contra o último recorde de 7,45% em 2015. Já o dólar comercial fechou esta sexta-feira (31) acumulando o maior salto mensal em três anos, num mês marcado por incertezas políticas no Brasil e adversidades generalizadas para países emergentes. "O dólar sair de R$ 3,70 e chegar a R$ 4,20 em um mês, num movimento de 50 centavos é muito forte", diz Carlos Pedroso, economista sênior do Banco MUFG Brasil.

Quando o cenário internacional começava a dar algum alívio lá fora, uma bateria de pesquisas de intenção de voto em uma única semana mostraram Geraldo Alckmin (PSDB), candidato preferido do mercado, ainda sem tração e investidores passaram a precificar ainda a possibilidade de um nome do PT chegar ao segundo turno. O estresse empurrou o dólar a R$ 4 pela primeira vez em mais de dois anos.

"Isso fez o real ter uma performance pior do que a moeda de seus pares", diz Pedroso.

Analistas apontam que o alívio temporário desta sexta é reflexo de um movimento de correção, após mais instabilidades em um emergente, desta vez a Argentina, levar o dólar a R$ 4,21 na véspera e forçar a atuação do Banco Central.

Além disso, dizem, o movimento de queda ganhou força após a formação da Ptax (taxa calculada pelo BC e que serve de referência para diversos contratos). Quem ganha com a alta da moeda vinha operando para segurar a taxa em um nível elevado, mas aliviou a pressão após o seu fechamento. Investidores estão atentos também à sessão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que analisa agora o pedido do registro da candidatura do ex-presidente Lula.

Ações

O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas da Bolsa brasileira, subiu 0,35% nesta sexta, a 76.677,53 pontos, impulsionado pelos papéis de bancos e da Petrobras. Em agosto, acumula baixa de 3,19%, mas no ano ainda sustenta leve alta de 0,36%.Bolsa O índice B3, da Bolsa de Valores de São Paulo, fechou hoje em alta de 0,36%, com 76.677 pontos. O índice acumulado em agosto ficou em queda de 3,12%, com um acumulado no ano com leve alta de 0,36%. Os papéis da Petrobras contribuíram para o fechamento em alta, com as ações valorizadas em 2,45%.

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