demanda e faturamento

Academias projetam salto de 10% neste ano

A crise nacional e a chegada de grandes redes do setor vinham afetando o mercado, que começa a reagir

01:00 · 12.08.2017
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Para conquistar a clientela, as empresas do setor vêm investindo em inovação, seja na parte de maquinário ou de serviços oferecidos ( FOTO: NATINHO RODRIGUES )

Mesmo com o bolso apertado por conta da crise, os cearenses estão se esforçando para continuar fazendo suas atividades físicas. Nesse contexto, as academias de Fortaleza já começam a sentir um aumento da procura pelos alunos e esperam um crescimento de, em média, 10% em relação ao ano passado, de acordo com o presidente do Sindicato das Academias de Ginásticas do Estado do Ceará (Sinagi-CE), Airton Fernandes.

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"Com certeza, tendo em vista a conjuntura do País, muitas pessoas se afastaram das academias. Mas muitos também deram prioridade à questão da saúde e seguem malhando. Neste ano, já passou o pior, a concorrência já está estabelecida. Esperamos um 2017 bem melhor que 2016", avalia o presidente, destacando também que a tendência é que o mercado continue a crescer com a maior conscientização da população.

Entretanto, Fernandes diz que a chegada de redes de academia de baixo custo inviabilizou a manutenção das academias de bairro, por oferecer maquinário com estrutura e climatização a um preço semelhante ao cobrado pelas pequenas. Segundo informa, de 2015 a 2016, cerca de 150 estabelecimentos menores encerraram a atividade em razão da concorrência, restando em torno de 500 atualmente, sendo a maioria informal.

Expansão

A rede de academias Smart Fit tem hoje, no Ceará, 16 estabelecimentos e prevê dobrar esse número em três ou quatro anos, de acordo com Edgard Corona, presidente do Grupo Bio Ritmo. "O Ceará é a nossa principal praça no Nordeste. Estamos abrindo duas lojas nesse ano e outra no ano que vem. Vamos chegar a 19 unidades até fevereiro e depois, com mais calma, ir abrindo as demais", aponta.

Além da Capital, a bandeira também já está presente em Juazeiro do Norte, Maracanaú e Sobral. Essa nova expansão, conforme Corona, deve contemplar tanto Fortaleza quanto Interior. "Estamos testando um novo modelo que está começando a funcionar para cidades de 100 mil, 150 mil habitantes, em duas cidades do interior de São Paulo. Vamos diminuir um pouco os espaços", explica o empresário.

Ele observa que a alta inflação prejudicou o segmento no ano passado, afetando a rentabilidade do negócio. Como a empresa trabalha com mensalidades de baixo custo, não houve espaço para o repasse da inflação ao consumidor. Por outro lado, ele vislumbra um cenário positivo neste ano e projeta um crescimento de 2% a 3% de todo o grupo Bio Ritmo em 2017.

"Tivemos uma redução de 10% a 15% nos últimos dois anos. Mas o pior já passou. Esse ano já volta à normalidade, dentro da expectativa do primeiro semestre e, para o segundo, com a volta do emprego, conseguiremos ter um crescimento. Há ainda muito espaço para crescer no mercado brasileiro", destaca.

Novo perfil

Há 22 anos no mercado de Fortaleza, a Maxforma mantém hoje três unidades na Capital. De acordo com Cesinha, coordenador da empresa, o novo entendimento da população quanto à necessidade de se exercitar fez com que o perfil dos alunos mudasse. "Se tinha a mentalidade, há algum tempo, de que idosos só podiam fazer hidroginástica. Hoje vemos alunos com mais de 80 anos na musculação, o que não se via antes", aponta.

Recuperação

Ele explica que, até 2015, a empresa vinha em crescimento permanente. "Em 2016, começou a haver uma quebra e deu uma diminuída no número de planos de alunos, tanto que muitas academias pequenas não resistiram. Foi uma redução de em média 25% da procura", destaca o coordenador.

Neste ano, de acordo com ele, houve uma reação nos primeiros meses do ano, que voltou a cair. Ainda assim, as expectativas do mercado são melhores em relação ao ano anterior.

Para reter a clientela, Cesinha explica que a empresa procura sempre inovar, não só na aquisição de maquinário, mas também na parte humana. "Procuramos sempre realizar eventos, passeios, aulas diferenciadas, além de promoções, porque são formas de socializar o público da academia, que acaba sendo um atrativo além do serviço propriamente", ressalta. (YP)

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