em 2017

Abertura de empresas no CE é 17% maior que extinções

01:00 · 13.01.2018
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No caso dos microempreendedores individuais (MEIs), houve um crescimento de 15% no Estado em 2017, totalizando 32.404 ( FOTO: KID JÚNIOR )

Após um ano de primeiros sinais de estabilização econômica, embora ainda com momentos complexos para o mercado, o saldo de novas empresas no Ceará encerrou o ano de 2017 positivo, com 1.704 negócios a mais que no ano anterior. Conforme os dados da Junta Comercial do Estado do Ceará (Jucec), foram abertas 11.443 empresas no Estado durante o ano, 17,4% a mais ante 9.739 encerramentos.

Considerando os Microempreendedores Individuais (MEI), esse crescimento foi ainda mais visível. De acordo com dados do Portal do Empreendedor, o ano de 2017 se encerrou com 32.404 MEIs a mais que em 2016, o que representa um crescimento de 15%. Foram contabilizados 247.602 microempreendedores no fim do ano passado, ante os 215.198 existentes no mesmo período do ano anterior.

No entanto, mesmo com o saldo positivo de criação de empresas, os efeitos da crise econômica ainda repercutiram na redução do ritmo de abertura de novos negócios e no de fechamento dos já existentes. A diferença entre criações e encerramentos calculada em 2017 corresponde a 67,3% da que foi registrada em 2016, de 27,9%, quando havia um saldo de 2.529 novas empresas no Estado.

Crescimento

Conforme os dados da Jucec, foram criadas 130 empresas a mais em 2016 que no ano passado, caindo de 11.573 a 11.443 protocolos de abertura, o que corresponde a uma queda de 1,1% entre os dois anos. Já o fechamento de negócios locais apresentou um aumento mais significativo - foram 695 empresas encerradas a mais no ano passado que em 2016, um crescimento de 7,6%, passando de 9.044 a 9.739 pedidos de fechamento.

Dificuldades

Para o economista Alex Araújo, os dados mostram que a recuperação plena ainda não aconteceu no Estado. "Também apoiado em informações da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), vemos que a atividade empreendedora ainda não retomou ao patamar antes da crise, se distanciando do que vem acontecendo no restante do País. Há um quadro de dificuldades", explica.

Por outro lado, ele aponta que, com mais sinais de retomada da economia em 2018, mais oportunidades surgirão para a realização de investimentos privados de maior magnitude.

"A expectativa é que surjam mais empresas neste ano que no ano passado, em um quadro bem melhor, principalmente para os negócios de pequena escala. Os de maior porte precisam de sinais mais efetivos de melhora", pontua Araújo.

Recuperação judicial

Já o volume de processos de recuperação judicial realizados no ano caiu 21% em relação a 2016, de acordo com os números da Jucec, recuando de 17 processos em 2016 para 14 no ano passado. Os números da Junta Comercial são relativos aos processos já deferidos pela Justiça, que são comunicados ao departamento após a aprovação do pedido por determinação judicial.

Por outro lado, segundo a base de dados jurídica DBJus, os pedidos de recuperação judicial no Ceará totalizaram 21 em 2017, ante 16 em 2016. O aumento foi de 31% e vai na contramão do cenário nacional, que indica queda de 23,7% no mesmo período, segundo o Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito).

Problemas

Na avaliação de Luis Paiva, economista e presidente da Corporate Consulting, os problemas enfrentados por empresas cearenses incluem alto endividamento, dificuldades de rolagem dos passivos junto a instituições financeiras, escassez de capital de giro e desalinhamento entre custos e despesas.

"O aumento dos pedidos no Ceará pode ser reflexo de gestores que protelaram ao máximo recorrer ao instrumento - estão sofrendo provavelmente desde antes do início da crise, em 2015", explica o economista. Ele destaca, entretanto, que, quanto mais se posterga um plano de recuperação, menores são as chances de sucesso.

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