REGIÃO SERRANA

Um ano após tragédia, nenhuma obra entregue

01:39 · 12.01.2012
Teresópolis foi um dos municípios mais afetados pelo temporal que atingiu a região serrana doRio em janeiro de 2011
Teresópolis foi um dos municípios mais afetados pelo temporal que atingiu a região serrana doRio em janeiro de 2011 ( REUTERS )
Áreas atingidas pelas enchentes que mataram mais de 900 pessoas no Rio de Janeiro não foram recuperadas

Rio de Janeiro. Um ano após as enchentes que provocaram a morte de mais de 900 pessoas na região serrana fluminense, nenhuma obra foi concluída até o momento nas mais de 170 áreas identificadas como de alto risco de deslizamento de encostas. Além disso, apenas oito ações foram iniciadas, conforme o 3º Relatório de Inspeção à Região Serrana, divulgado ontem pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ).

De acordo com o relatório, as ações das autoridades nos últimos 12 meses limitaram-se ao atendimento às famílias afetadas pelas enchentes, e muito pouco foi feito para recuperar as áreas atingidas pelo temporal. O assessor de Meio Ambiente do Crea, Adacto Ottoni, afirma que "os pontos críticos que sofreram as feridas continuam totalmente fragilizados e estão gerando grande aporte de sedimentos para a drenagem e para os rios, o que pode agravar mais as inundações e o transbordamento".

Segundo Adacto, menos de 10% do que estava previsto para o ano passado foi iniciado. Na visita aos locais afetados pelas chuvas do ano passado, os técnicos constataram que persiste o processo de ocupação desordenada do solo, sobretudo para atividades agrícolas, desmatamento de áreas de preservação permanente, além da reocupação das áreas de risco, com a construção de casas nestes locais.

Entre as orientações imediatas, o relatório propõe a criação e a implementação de um planejamento para remoção da população com prioridade para as áreas de risco; implantar pequenas e médias barragens de cheias; intervenções nas encostas; realizar saneamento efetivo de esgotos e lixo na bacia drenante.

Escassez

Levantamento feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) mostra que só 13% dos recursos gastos pelo governo federal em ações da Defesa Civil foram investidos na prevenção de desastres como deslizamentos de terra, enchentes e seca entre 2006 e 2011. O gasto com prevenção foi de R$ 745 milhões, contra R$ 6,3 bilhões para conter estragos causados.

Segundo o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, os problemas são reincidentes. "Quando o governo alega que não tem conhecimento do problema, ele está faltando com a verdade. Tudo está detalhado ao longo dos anos, não há como alegar que não sabe", critica.

Um dos problemas destacados no estudo é a concentração no envio de recursos para alguns estados. Ziulkoski aponta também que boa parte das verbas anunciadas pela União não chega por entraves burocráticos.

Governo federal anuncia R$ 75 mi

Brasília.
O governo federal anunciou ontem que vai destinar R$ 75 milhões para os três Estados mais afetados pelas fortes chuvas que atingem o País. Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo receberão R$ 30 milhões, R$ 25 milhões e R$ 20 milhões, respectivamente.

O dinheiro será repassado via Cartão de Pagamento de Defesa Civil, que viabilizará despesas em ações de socorro, assistência a vítimas e restabelecimento de serviços em municípios com situação crítica. Oito mil cestas básicas também serão distribuídas.

O valor liberado ontem é proveniente da medida provisória assinada no ano passado pela presidente Dilma Rousseff, que reservou R$ 444 milhões para serem utilizados para minimizar os estragos causados pelas enchentes e deslizamentos.

O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, explicou que a intenção do governo federal é passar a utilizar o cartão de pagamento da Defesa Civil para transferir os recursos. Os governos estaduais deverão criar um CNPJ exclusivo para a Defesa Civil e abrir uma conta específica. Segundo o ministro, essa prática dará mais transparência ao uso das verbas.

Somente no Rio de Janeiro, balanço divulgado ontem pela Defesa Civil apontou um aumento de cerca de 30% no número de desalojados e desabrigados por causas das chuvas nas regiões norte e noroeste. O número passou de 11.650 mil pessoas para 14.920.

Também ontem, os corpos de cinco pessoas da mesma família foram encontrados dentro de um Fusca em Sapucaia, no Rio de Janeiro. Pai, mãe, duas filhas adolescentes e um tio das meninas foram soterrados na madrugada de segunda-feira após uma avalanche provocada pela chuva no distrito de Jamapará. Com o resgate, chega a 18 o número de mortos no município.

IMPACTO

14,9 mil pessoas estão desabrigadas ou desalojadas por conta das chuvas nas regiões norte e noroeste do Rio de Janeiro desde o início do ano

Seca prejudica mais de 1 milhão no RS

Brasília.
O Rio Grande do Sul já está com 188 municípios em situação de emergência e mais de 1 milhão de pessoas prejudicadas pela longa estiagem que atinge o Estado, de acordo com o último boletim da Defesa Civil.

Além dos problemas causados para as lavouras de milho, soja e feijão, com grandes prejuízos para os produtores, a população também está sofrendo com o calor intenso, a baixa umidade do ar e a dificuldades de acesso a água potável.

Na Bahia, dos 123 municípios que decretaram situação de emergência durante o período da seca, 43 deles permanecem com o decreto em vigor. Nos outros municípios, o decreto venceu, mas, segundo o coordenador executivo da Defesa Civil da Bahia, Salvador Brito, a maioria dessas cidades ainda necessita de apoio no abastecimento de água e ações preventivas.

Semiárido

Todos os municípios em situação de emergência estão no semiárido baiano, que ocupa sobretudo a região central do estado. A Defesa Civil da Bahia firmou convênios com as prefeituras dessas cidades para transporte de água em carros pipas e limpeza e ampliação de reservatórios de água.

Segundo a Defesa Civil, a produção agrícola desses municípios, sobretudo a agricultura familiar, foi o setor mais atingido.

O governo da Bahia está pleiteando junto ao Ministério da Integração a liberação de R$ 30 milhões para amenizar os danos causados pela estiagem.

Os estragos causados pela estiagem também atingem Sergipe. Cerca de 65 mil pessoas já foram afetadas desde outubro passado. Dez municípios decretaram situação de emergência, segundo a Defesa Civil estadual.

Desde o início de dezembro, a Coordenadoria Especial da Defesa Civil distribui água por meio da Operação Pipa, com 111 caminhões em nove cidades.

A Secretaria de Estado da Inclusão, Assistência e do Desenvolvimento Social já entregou, desde outubro de 2011, 2.846 cestas de alimentos em dois municípios que decretaram situação de emergência e solicitaram auxílio do Governo do Estado.

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