PSDB racha sobre permanência

Aloysio Nunes, ministro das Relações Exteriores, teria até elaborado sua carta de demissão, mas saída do governo não se confirmou ( Foto: Agência Senado )
00:00 · 19.05.2017 / atualizado às 01:48

Brasília. O PSDB rachou sobre sua permanência no governo de Michel Temer (PMDB). Se a sigla começou, ontem, com um pé e meio fora da gestão que apoiou desde o primeiro minuto, o fim do dia viu sua nova direção segurar os principais ministros do partido nos cargos.

Dois dos quatro ministros do partido - Aloysio Nunes (Relações Exteriores) e Bruno Araújo (Cidades) - teriam até elaborado suas cartas de demissão.

Numa confusão que faz jus à fama de agremiação em cima do muro, o PSDB ainda espera uma avaliação mais precisa do áudio no qual Temer aparece numa conversa sobre obstrução à Justiça com Joesley Batista para definir sua posição final.

A divisão do partido se deu ao longo do dia. Grosso modo, a bancada tucana na Câmara, os chamados "cabeças pretas" por não terem ou disfarçarem cabelos grisalhos associados aos caciques, defendia a entrega de cargos, a defesa da renúncia de Temer e consequente eleição indireta para presidente.

A tese parecia vitoriosa ao longo do dia, até que Temer fez o pronunciamento em que foi enfático na defesa do que conversara com Joesley.

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Dilema

A divulgação do áudio selou a dúvida tucana: apesar de o presidente e o empresário estarem conversando sobre crimes, a anuência explícita do peemedebista a um cala-boca a ao ex-deputado Eduardo Cunha na cadeia não se configura cristalina.

Os tucanos vivem o dilema enquanto tentam salvar o partido da desintegração.

Se há nuances no áudio de Temer, a investigação sobre o ex-presidente da sigla, Aécio Neves, é devastadora.

Um dos principais responsáveis pela adesão ao governo Temer já no afastamento de Dilma Rousseff do cargo, Aécio estava no programa de TV do partido falando em renovação política.

No PSDB, isso começou com sua saída do controle da máquina. Alvo de uma operação policial que prendeu sua irmã, Aécio tornou-se impossível de ser defendido na opinião dos colegas.

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