Ministério do Trabalho

Pressionado, Temer desiste de nomeação de Pedro Fernandes

Michel Temer pediu ao PTB para indicar outro nome; deputado Sérgio Moraes e pastor Josué são cotados para o cargo

00:00 · 03.01.2018
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O parlamentar do PTB maranhense aguardava a nomeação para assumir a Pasta, após a saída de Ronaldo Nogueira na última sexta-feira ( Foto: Agência Câmara )

Brasília. O presidente Michel Temer começa o ano com uma inesperada crise política em sua base aliada. Ele cedeu à pressão do ex-presidente José Sarney e recuou da nomeação do deputado federal Pedro Fernandes (PTB-MA) para o comando do Ministério do Trabalho.

O parlamentar é aliado político do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), e um dos seus filhos, Paulo Fernandes Ribeiro, secretário-adjunto na administração estadual, de oposição à gestão da ex-governadora Roseana Sarney.

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A posse de Fernandes estava prevista para amanhã (4). Sua nomeação seria a primeira de possíveis trocas que Temer deve fazer na Esplanada até o fim de março, prazo final para a saída dos ministros que pretendem disputar as eleições.

Antes da desistência do nome, o Palácio do Planalto chegou a pedir ao PTB, responsável pela indicação, que Fernandes "ajustasse as diferenças" com Sarney, segundo a reportagem apurou, mas o pedido não foi adiante. Sem consenso, Temer pediu ao presidente nacional da sigla, Roberto Jefferson, para sugerir um outro deputado para ocupar o posto, vago desde a semana passada com a saída repentina de Ronaldo Nogueira, com o argumento de que concorrerá nas eleições. "Ele (Pedro Fernandes) disse não querer que sua escolha passasse pelo ex-presidente José Sarney. Agora, vamos reunir a bancada do partido para chegar a um nome", disse Jefferson. Os nomes favoritos, por ora, são os dos deputados Sérgio Moraes (RS) e pastor Josué Bengtson (PA).

Fernandes enviou mensagem a integrantes da bancada do partido agradecendo o apoio, mas ressaltando que não será nomeado por criar um "embaraço".

"Infelizmente, não deu, devido ao embaraço que eu crio na relação de Michel Temer com José Sarney", disse. Sarney negou, por meio da assessoria, ter vetado a nomeação ou tenha sido consultado pelo Planalto.

A recusa de Fernandes causou desconforto na bancada do PTB na Câmara, que já vinha reivindicando mais espaço para o partido na Esplanada e demonstrando resistência à votação da Reforma da Previdência. Não é a primeira vez que Temer leva em consideração a opinião de Sarney para uma nomeação administrativa. Ele foi um dos fiadores da indicação de Fernando Segóvia para o comando da Polícia Federal e emplacou seu filho, Sarney Filho, no Ministério do Meio Ambiente.

'Se lixando'

Cotado para assumir a vaga no Trabalho, Sérgio Moraes chegou a ser sondado após a saída de Ronaldo Nogueira, mas inicialmente recusou. Na bancada do partido, contudo, há a expectativa de que agora ele aceite.

Em 2009, Moraes causou polêmica ao dizer que estava "se lixando para a opinião pública" quando defendeu o ex-deputado Edmar Moreira, então envolvido em uma crise política após a revelação de que possuía um castelo em Minas Gerais.

Moraes era o relator no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados de acusação contra o mineiro por suposta apresentação de notas falsas ao justificar o uso de verba indenizatória. Com a declaração, Moraes acabou trocado da função.

Em 2016, ele também protagonizou polêmica ao sair em defesa do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ), preso pela Operação Lava-Jato.

A possibilidade de ele ser indicado tem sido criticada por auxiliares presidenciais, segundo os quais a nomeação de Moraes causaria mais um desgaste ao presidente e ampliaria a crise política gerada pela recuo na nomeação de Fernandes.

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