Possível Vacância presidencial

Políticos especulam sobre eventual sucessão

Parlamentares do Ceará também fizeram suas apostas sobre o futuro da Presidência no caso da saída de Temer

Para o deputado federal André Figueiredo (PDT-CE), a partir das delações da JBS, era esperado que algum efeito sobre Temer viria à tona ( Foto: Bruno Gomes )
00:00 · 19.05.2017 / atualizado às 01:48

Brasília/São Paulo. O manto da incerteza cobre não só o futuro de Michel Temer à frente da Presidência, mas também as opções de saídas eleitorais no caso de sua queda: eleição direta ou indireta, como prevê a Constituição? Enquanto isso, o mundo político especula nomes, em especial no cenário indireto. Emergem, entre outros, a presidente do Supremo, Cármen Lúcia, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Cármen tem conversado com alto empresariado e políticos. A vantagem óbvia: é um nome do "partido da toga", longe dos rolos da Lava-Jato. Aqui o nome de Meirelles (PSD) ganha força, pois poderia se vender como o "homem das reformas" e acalmar o mercado que prevê o Apocalipse a cada crise.

Fosse realizada eleição direta, nenhum deles poderia ser candidato porque Cármen não é filiada e Meirelles teria de ter deixado do cargo seis meses antes do pleito. Ocorre que, se a disputa for indireta, as regras ainda terão de ser determinadas, provavelmente pelo Supremo, como ocorreu nos impeachments de 1992 e 2016.

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Outros nomes, antes do agravamento da crise, eram os do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e do ex-ministro Nelson Jobim (PMDB). Todos esses cenários descontam a demanda por um pleito direto, que depende de uma improvável aprovação de emenda constitucional ou uma releitura de regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) caso ele casse a chapa Dilma-Temer em junho.

Opinião dos cearenses

O futuro da Presidência da República divide opiniões na bancada federal do Ceará. Para o deputado Odorico Monteiro (PROS) a Câmara precisa se debruçar pra encontrar a melhor saída. "A obstrução da justiça é um ato muito grave e temos que começar a considerar novas eleições", alegou o deputado. Partidos da oposição se articulam no Câmara dos Deputados para abrir um novo processo de impeachment e acelerar a votação da PEC 227/16 que prevê eleições diretas no caso de vacância da Presidência da República. "Já sabíamos que mais cedo ou mais tarde algum efeito viria à tona", informou o deputado André Figueiredo (PDT).

A expectativa, segundo o pedetista, é que a PEC das eleições diretas seja votada, em caráter de urgência, pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, na próxima terça-feira (leia mais na página 16). Os deputados José Guimarães (PT), Lêonidas Cristino (PDT), Gorete Pereira (PR) e Chico Lopes (PCdoB) também defendem a realização de eleições diretas. O líder da minoria, José Guimarães disse que, "nesse momento de crise, não há outro caminho a não ser entregar a decisão ao povo". "As pessoas não enxergam no Congresso a menor condição de escolher o próximo presidente", alegou Chico Lopes.

Eleições indiretas 

A base aliada, no entanto, tem defendido as eleições indiretas.

Na avaliação dos deputados Adail Carneiro (PP) e Danilo Forte (PSB), não cabe eleições diretas no atual momento. "Mudar a Constituição seria um golpe", defendeu Danilo. Com a possibilidade de impeachment, o deputado Aníbal Gomes (PMDB) informou que o presidente da Câmara dos Deputados terá 90 dias para organizar as eleições indiretas e qualquer pessoa poderá ser escolhida. Aníbal adiantou que já há especulações sobre o futuro presidente. Segundo ele, o ex-presidente do STF, Nelson Jobim, seria um forte candidato.

Colaborou Ana Carolina Curvello, da Sucursal em Brasília

Verdadeiro e falso

Temer pode sofrer um impeachment?

VERDADEIRO

Se dois terços da Câmara aceitarem a abertura do processo de impeachment, e a maioria do Senado aceitar a continuidade do processo, o presidente é afastado. Mas Temer também pode optar pela renúncia.

Temer deve ser afastado imediatamente?

FALSO

Diante das graves acusações que recaem sobre o presidente Michel Temer, com a revelação da delação premiada do empresário da JBS Joesley Batista, ele só pode ser processado e julgado no STF, caso dois terços da Câmara - 342 dos 513 deputados - aceitem a denúncia por infração penal.

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