Decreto dos portos

PGR concorda que inquérito de Temer seja prorrogado

Procuradora Raquel Dodge deu parecer favorável ao pedido de delegado da PF por mais tempo para diligências

Presidente da República, Michel Temer (MDB-SP), informou, por meio de seu advogado, que a PF desviou os "rumos" iniciais da investigação ( Foto: Ag. Brasil )
00:00 · 05.05.2018

Brasília. A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, concordou com a prorrogação, por mais 60 dias, do inquérito sobre o Decreto dos Portos que investiga o possível envolvimento do presidente Michel Temer em corrupção e lavagem de dinheiro. Em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), Dodge ainda rejeitou o pedido da defesa do presidente para arquivar as investigações.

Dodge também defendeu a rejeição de um pedido da defesa do ex-assessor do Planalto José Yunes, amigo de Temer que queria acesso ilimitado aos autos. A decisão caberá ao ministro Luis Roberto Barroso, do STF.

Nos últimos três dias, o delegado Cleyber Lopes, que comanda as investigações, interrogou uma das filhas do presidente, a psicóloga Maristela Temer, e os proprietários de uma loja de materiais de construção de São Paulo. A Polícia Federal apura se Temer recebeu vantagem indevida das empresas da área dos Portos em troca da edição do decreto. De acordo com delatores ligados à J&F, os recursos teriam sido repassados ao ex-presidente através do coronel aposentado João Baptista Lima Filho, amigo pessoal de Temer.

Em junho passado, a PF apreendeu na Argeplan, empresa ligada ao coronel Lima, "um projeto de reforma de imóvel com nome Maristela Temer", um recibo de pagamento em nome dela e um disco rígido com informações sobre a reforma no apartamento.

No depoimento, Maristela disse que usou empréstimos e dinheiro da mãe para pagar a reforma, ocorrida em 2014. Ela admitiu que a mulher do coronel Lima, Maria Rita Fratezi, fez pagamentos ligados a obra, mas negou a ilicitude dos recursos.

Em março, um fornecedor da obra feita na casa de Maristela afirmou a "Folha de S. Paulo" que recebeu pagamentos das mãos de Fratezi em dinheiro vivo. A defesa do presidente solicitou o arquivamento do inquérito em janeiro deste ano, um dia depois de Temer responder por escrito às 50 perguntas formuladas pela Polícia Federal na investigação. Os advogados do presidente alegam que a Rodrimar não foi favorecida. Ao defender a continuidade das investigações, Raquel Dodge disse que ainda é preciso aguardar a finalização das diligências em curso no âmbito do inquérito.

Após conversar com Temer em São Paulo, o advogado Antonio Claudio Mariz de Oliveira afirmou que a PF desviou os "rumos" iniciais do inquérito sobre o Decreto dos Portos, que investiga o emedebista, aliados políticos e empresas do setor portuário. Além disso, o criminalista disse que não há fatos suficientes para apresentação de uma nova denúncia contra Temer.

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