Conclave e Stellio Natus

PF deflagra operações contra fraudes no País

Aquisição de ações do banco Panamericano pela Caixa torna-se alvo de investigação pela Polícia Federal

Cerca de 200 policiais cumpriram 46 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Recife e Londrina ( Foto: Folhapress )
00:00 · 20.04.2017 / atualizado às 00:12

São Paulo. A Polícia Federal deflagrou, ontem, a Operação Conclave, a fim de investigar a aquisição possivelmente fraudulenta do Banco Panamericano pela Caixa Participações.

O inquérito apura a responsabilidade de gestores da Caixa Econômica Federal na gestão fraudulenta, além de investigar possíveis prejuízos a correntistas e clientes. Cerca de 200 policiais federais cumpriram 46 Mandados de Busca e Apreensão, sendo 30 em São Paulo, seis no Rio, seis em Brasília, um em Belo Horizonte, um em Recife e dois em Londrina (PR).

Os investigados responderão, na medida de suas participações, por gestão temerária ou fraudulenta, além de outros crimes que possam vir a ser descobertos. As penas podem chegar a 12 anos de reclusão.

Conclave

O nome da Operação, em razão da forma sigilosa com que foram tratadas as negociações, faz alusão ao ritual que ocorre a portas fechadas entre cardeais na Capela Sistina, no Vaticano, com a intenção de escolher um novo Papa para a Igreja Católica. A Polícia Federal realizou buscas na residência do executivo Henrique Abravanel, irmão caçula do empresário e animador de TV Silvio Santos, dono do SBT.

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal, de Brasília, também decretou a quebra do sigilo fiscal e bancário do irmão de Silvio.

Quebra de sigilo

O vice-presidente de Governo da Caixa Econômica, Roberto Derziê Sant'anna, disse que não ter motivo para dizer que a compra de ações do Panamericano foi um mau negócio.

"A Caixa tomou a decisão utilizando critérios técnicos. Tanto é que tudo que foi feito será colocado à disposição das autoridades para que sejam apurados os fatos", comentou o executivo. O juiz federal da 10ª Vara Federal em Brasília, também autorizou quebra de sigilo bancário e fiscal do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, e também deferiu busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro ligados a ele.

O advogado de Esteves, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse que os mandados contra seu cliente são desnecessários, pois recentemente a mesma Vara da Justiça Federal já havia autorizado a mesma medida na Lava-ato.

"Tudo o que foi apreendido já está lá (com as autoridades)", alegou Kakay.

Seguro-desemprego

A Polícia Federal deflagrou também, ontem, a Operação Stellio Natus, contra um esquema de fraude no seguro-desemprego.

Os crimes contavam com a colaboração de prepostos do Ministério do Trabalho e agente púbicos cooptados pelo esquema para alterarem os endereços dos verdadeiros beneficiários para desviar cartões.

"Assim, os integrantes da quadrilha usavam o documento para sacar o dinheiro das vítimas em agências lotéricas. Há também a participação de uma policial civil do Mato Grosso, esposa do principal investigado", relatou a nota da PF.

Estima-se que a quadrilha tenha desviado um valor superior a R$ 3 milhões em benefícios.

As diligências da PF foram executadas nas cidades de Anápolis/GO Caldas Novas/GO, Nova Lima/MG, São Félix do Araguaia/MT e Redenção/PA.

Os investigados responderão pelo crime de estelionato qualificado, com previsão de pena até 5 anos, aumentada de 1/3 por ter sido cometido em detrimento de instituto de assistência social.

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