AVALIAÇÃO

Pesquisa Datafolha aponta recorde de Lula

00:32 · 01.06.2009
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Uma mudança na legislação, que permita o 3º mandato do presidente, tem o apoio de 47% da população

Brasília. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), retomou o patamar recorde de aprovação que tinha antes de a crise econômica mundial aportar no Brasil, de acordo a pesquisa do Instituto Datafolha divulgada ontem.

O governo é avaliado como ótimo ou bom por 69% dos brasileiros. Para 24% a gestão é regular e, para 6%, ruim ou péssima. O Instituto Datafolha indica ainda que a possibilidade de o presidente tentar um terceiro mandato tem a rejeição de 49% das pessoas e o apoio de 47%. A candidatura exigiria a aprovação de uma emenda no Congresso.

Em novembro de 2008, o presidente obteve 70% de aprovação popular. O índice cai para 65% em março de 2009, acompanhando o temor da crise financeira internacional.

Na última pesquisa, além de recuperar o índice de aprovação de novembro, o petista retomou a nota média mais alta que já teve, 7,6.

Popularidade

A pesquisa aponta que a popularidade de Lula aumentou cinco pontos porcentuais entre os entrevistados com renda familiar mensal de até dez salários mínimos e diminuiu sete pontos entre os que ganham mais do que esse valor. A popularidade deu impulso à hipótese de o presidente concorrer a uma nova reeleição nas eleições de 2010.

O cenário, hoje dividido praticamente meio a meio, era diferente em novembro de 2007. Na época, 65% rejeitavam a possibilidade do terceiro mandato e 31% apoiavam.

O Datafolha aponta ainda que, caso resolvesse se candidatar, Lula seria reeleito em primeiro turno, com 47% dos votos. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), ficaria com 25% do eleitorado. Sem o terceiro mandato, o tucano lidera todos os cenários da disputa.

O levantamento foi feito entre 26 e 28 de maio, com base em 5.129 entrevistas em 203 municípios de 25 Estados. A margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.

Viagem

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou, ontem, uma viagem de quatro dias por três países da América Central. Durante sua ausência, o vice-presidente José Alencar, que retornou sábado dos Estados Unidos, onde fez um tratamento experimental contra o câncer, assume o governo.

O presidente Lula assiste, hoje, à cerimônia de posse do presidente Mauricio Funes em El Salvador (San Salvador). Após almoço com os chefes de Estado, ele embarca para Cidade da Guatemala (Guatemala) para compromissos com o presidente daquele país Álvaro Colom e autoridades locais.

Amanhã, Lula partirá para San José (Costa Rica) onde se encontrará com o presidente Oscar Arias no dia seguinte. O presidente retorna na quarta-feira e deve chegar a Brasília na madrugada de quinta-feira.

Alencar

Segundo a assessoria do vice-presidente , ele está ´ótimo´ para assumir a Presidência. José Alencar estava em Houston (Texas) desde a última terça-feira (26), tentando se qualificar para um tratamento experimental no centro oncológico.

ELEIÇÕES 2010

Para Dilma, pesquisas são voláteis

Brasília. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), disse ontem que concorda com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando ele afirma que fará seu sucessor na eleição de 2010.

´O presidente tem grande capacidade de análise. Acredito que o candidato do governo, seja ele quem for, tem grande chance de ganhar´, disse Dilma, pré-candidata do presidente Lula para a eleição presidencial do ano que vem.

Aparentando muita disposição física e simpatia - mas também sem esconder a fragilidade emocional pelas dificuldades provocadas pelo câncer linfático - a ministra enfrentou uma verdadeira maratona em Pernambuco durante o final de semana. Ela disse que está aproveitando a ´oportunidade rara´ de conhecer as manifestações populares da diversificada cultura nordestina. Numa região em que o presidente Lula tem alto índice de popularidade, Dilma comentou que em todo contato seu com o Nordeste sente ´uma imensa afetividade por parte das pessoas´.

Durante a viagem, a ministra jantou com lideranças políticas locais - do PT, do PDT, PTB e até do PSDB e PMDB - dançou forró, enfrentou uma escadaria de 46 degraus para chegar aos camarotes do Parque de Eventos Luiz Gonzaga e até adiou o retorno, anteriormente previsto para ontem de manhã, e só voltou para Brasília no início da tarde.

A ministra permaneceu por mais de três horas em Caruaru onde acompanhou os festejos do ´maior São João do mundo´. Em entrevista, ela falou do trabalho, da doença e marejou os olhos ao abordar a solidariedade que vem recebendo com intenções de recuperação.

´Tenho um ritmo de trabalho muito excessivo. Esse ritmo excessivo, eu não estou mantendo. Tenho ido à Casa Civil sistematicamente. E é óbvio que em alguns momentos eu me sinto muito debilitada. Mas em outros, não sinto nada. E não tem sido fácil, a quimioterapia não é fácil. Se eu dissesse que é agradável, estaria mentindo´, disse a ministra.

Mas foi ao abordar a solidariedade que tem recebido até de desconhecidos que Dilma Rousseff mostrou-se visivelmente emocionada.

´Uma coisa muito importante nesse país é o sentimento de solidariedade. E o fato de que a gente pode ter certeza de que o povo é muito compreensivo e muito mais paciente do que a gente imagina´, afirmou, lembrando do carinho da população brasileira.

Balanço

A ministra disse que vai fazer um balanço do PAC na próxima quarta-feira e que acredita que a CPI da Petrobras não afetará os investimentos do programa.

Ela não quis comentar a pesquisa do Instituto Datafolha, que mostra redução da diferença entre ela e o seu eventual adversário, José Serra.

´Pesquisa é algo volátil, tem dia que sobe, tem dia que desce. Tudo isso é muita espuma. Vamos tratar do forró, que a gente lucra mais´, disse a ministra ao chegar em Caruaru, sem fazer mais comentários.

A ministra repetiu que ´nem amarrada´ fala na condição de pré-candidata à sucessão do presidente Lula. Ela disse que a reunião de ontem com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, teve ´assuntos políticos e administrativos´. Campos é o seu principal cabo eleitoral em Pernambuco.

Ao seguir para Brasília, Dilma Rousseff fez elogios ao socialista e afirmou que Pernambuco é um dos estados onde o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) vem sendo executado a passos rápidos.

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