Investigação

Temer não responde perguntas da PF e diz ser alvo de "abusos e agressões"

Segundo sua defesa, "há perguntas verdadeiramente invasivas e, portanto, inoportunas, que procuram simplesmente entrar na vida pessoal do presidente afrontando sua intimidade"

18:15 · 09.06.2017 / atualizado às 18:22 por Folhapress
Temer
A partir da notificação, o presidente terá prazo de 10 sessões plenárias para se defender na Comissão de Constituição e Justiça ( Foto: AFP )

O presidente Michel Temer não respondeu as 82 perguntas formuladas pela Polícia Federal no âmbito do inquérito que o investiga e afirmou, em documento de 14 páginas, que está sendo alvo de "um rol de abusos e agressões" que atingem seus direitos individuais.

Segundo sua defesa, "há perguntas verdadeiramente invasivas e, portanto, inoportunas, que procuram simplesmente entrar na vida pessoal do presidente afrontando sua intimidade".

O prazo para o envio das respostas terminou às 17h desta sexta-feira (9). O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia autorizado a PF a tomar depoimento por escrito.

Temer pediu a Fachin para suspender o depoimento até a conclusão da perícia oficial em um áudio gravado pelo dono da JBS Joesley Batista, que deu início às investigações. O ministro do Supremo negou o pedido para adiar o depoimento, mas destacou que o presidente tinha o direito de não responder as perguntas.

O advogado de Temer, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, pediu ainda o arquivamento do inquérito. O presidente é investigado sob suspeita de corrupção passiva, obstrução da Justiça e participação em organização criminosa.

Segundo a reportagem apurou, Temer cogitou inicialmente responder parte das perguntas, excluindo as referentes ao áudio gravado por Joesley, as que se referiam a período anterior ao do atual mandato e as de conteúdo considerado pessoal.

A defesa do peemedebista avaliou, no entanto, que respostas, por mais genéricas que fossem, poderiam gerar interpretações da Procuradoria-Geral da República (PGR) e fortalecer uma provável denúncia contra o peemedebista.

Nas palavras de um assessor presidencial, em meio a uma queda-de braço com a PGR, o presidente evitou dar "mais munição" ao procurador-geral, Rodrigo Janot.

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