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Polícia investiga envolvimento do PCC com ocupações em SP

Equipes de combate ao crime organizado acreditam haver indícios que a facção criminosa estaria usando os movimentos de moradia para esconder drogas, armas e traficantes

09:13 · 04.05.2018 / atualizado às 09:32
Polícia investiga envolvimento do PCC com ocupações em SP
O Movimento da Luta Social por Moradia, responsável pela ocupação do prédio que desabou na última terça-feira (1º), cobrava até R$ 400 de aluguel a cada morador ( Foto: Nelson Almeida / AFP )

A Polícia irá investigar movimentos de moradia que cobram aluguel de ocupações em São Paulo como o que atuava no prédio que pegou fogo e desabou na última terça-feira (1º). Equipes de combate ao crime organizado acreditam haver indícios de que o Primeiro Comando da Capital (PCC) estaria usando esse e outros movimentos como fachada para esconder drogas, armas e traficantes. As informações são do jornal O Globo.

De acordo com moradores do prédio que desabou, o Movimento da Luta Social por Moradia (MLSM), responsável pela ocupação do edifício, cobrava até R$ 400 por mês de aluguel a cada morador. O esquema se assemelha ao funcionamento do antigo Movimento Sem Teto de São Paulo (MSTS), responsável pela ocupação do Cine Marrocos, localizado no centro da capital paulista. 

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Em 2016, as investigações do Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) apontaram que o MSTS servia de fachada para o PCC. Durante operação realizada na ocupação do cinema, a polícia encontrou fuzis, carabinas e drogas escondidos num poço de elevador do edifício.

A polícia paulista descobriu que a facção se aproveitava dos sem-teto para manter a polícia distante. A operação da Denarc demorou cinco meses para entrar no prédio, pois havia o receio de que um confronto chegasse a envolver moradores que não tinham relação com o grupo criminoso.

Após a operação, o MSTS foi desmontado e 28 pessoas foram condenadas pelo envolvimento no esquema, incluindo o líder do movimento, Wladimir Ribeiro Brito, apontado como chefe do PCC no centro de São Paulo.

Agora, a polícia suspeita que o esquema da facção continue por meio de outros movimentos, se aproveitando do alto déficit habitacional da cidade.

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