POLÍCIA-RIO

Polícia identifica um suspeito de participar da morte de delegado no Rio

Um dos suspeitos de participar da morte do delegado da Polícia Civil Fábio Monteiro já foi identificado e está com prisão decretada pela Justiça

15:54 · 13.01.2018 / atualizado às 16:12

A Justiça do Rio de Janeiro decretou neste sábado (13) a prisão do suspeito de matar o delegado Fábio Monteiro na tarde de ontem (12), na comunidade do Jacarezinho, zona norte da cidade. Segundo o secretário estadual de Segurança, Roberto Sá, o suspeito, Wendel Luis Silvestre, já é considerado foragido.“Já identificamos esse criminoso, ele vai ser preso, Assim como ele, [serão presos] os outros que atentarem contra a vida de agentes públicos e contra a sociedade. A Divisão de Homicídios está empenhada e já tem informações consistentes e uma linha de investigação segura. Mas não vamos entrar em detalhes”, disse Sá. O secretário informou que a polícia também está trabalhando para identificar outros envolvidos com o crime.

Fábio Monteiro, que trabalhava como delegado da Central de Garantias, na Cidade da Polícia, saiu para almoçar e não retornou. Seu corpo foi encontrado na própria tarde no porta-malas de um carro. A polícia acredita que ele tenha sido morto por criminosos do Jacarezinho, favela vizinha à Cidade da Polícia.

Roberto Sá não confirmou se o delegado foi morto por ter sido reconhecido como um policial. “Alguns latrocínios são praticados contra cidadãos que estão com o bem, e alguém mata para roubar. Ele era um cidadão policial. Então, a investigação ainda vai, após prender o Wendel e outros criminosos, concluir por que motivo ele foi morto. Nesse momento, a gente não descarta nenhuma hipótese mas ainda não afirma se ele faleceu em virtude de ser policial ou não.”

 

O corpo de Fábio foi velado na manhã de hoje na Academia de Polícia (Acadepol), onde ele era professor de direito penal, e foi sepultado às 14h no Mausoléu da Polícia Civil, no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju.

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Monteiro foi visto pela última vez saindo para almoçar. A Cidade da Polícia fica perto dessas favelas.A Polícia suspeita que ele tenha sido vítima de um assalto. A dinâmica dos fatos está sendo investigada. Ainda não está claro, por exemplo, se ele foi reconhecido como policial e por isso executado. Além de delegado, também atuava como instrutor e professor da corporação, e foi agente da Polícia Federal.

OPERAÇÃO

Horas após a morte, a Polícia Civil deu início a uma operação nas favelas do Jacarezinho e Arará, que resultou na detenção de 40 pessoas. Em 2017, outro policial civil foi morto durante operação no Jacarezinho. Nas semanas seguintes, ocorreram seguidas operações policiais na favela, que deixaram a população local, de cerca de 40 mil pessoas, ilhada, sem serviços básicos, durante semanas.O Portal dos Procurados busca obter informações que levem à identificação dos envolvidos na morte do delegado. Para isso, oferece uma recompensa de R$ 5.000.

CRISE NO RIO

Com salários atrasados e falta de dinheiro para manutenção de veículos e equipamentos para a polícia, o Rio tem sofrido com o crescimento dos índices de violência.A crise também enfraqueceu o projeto das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), que estão passando por modificações, abrindo espaço para novas guerras entre facções de bandidos.

Ao longo de 2017, foram 134 policiais militares mortos na onda de violência que atinge o Rio de Janeiro. O último caso tinha sido em 30 de dezembro, também em São Gonçalo, quando o sargento reformado Renato Fagundes de Almeida, 47, foi assassinado após outra tentativa de roubo.

Ao menos duas novas mortes já foram registradas desde o início de 2018. O sargento Anderson da Silva Santos, 41, foi atingido por três tiros em Queimados, na Baixada Fluminense, e o soldado Ivanderson da Silva Pinheiro foi encontrado morto em Mutuá, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio. Os dois casos ocorreram no dia 3.

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