Barômetro Político

Pesquisa aponta que 94% dos brasileiros não se veem representados pela classe política

É quase consensual a noção de que a corrupção é um entrave para que o País alcance um nível mais avançado de desenvolvimento

08:39 · 13.08.2017 / atualizado às 09:37 por Estadão Conteúdo
População
Apenas 6% dos entrevistados se sentem representados por políticos que já votaram. ( FOTO: Arquivo ANPr )
A pouco mais de um ano das eleições presidenciais, estaduais e para o Congresso Nacional, os brasileiros manifestam rejeição generalizada de 94% ao atual modelo de governo e à classe política, independentemente de partidos. O levantamento é parte da pesquisa Pulso Brasil, realizada pelo Instituto Ipsos entre os dias 1º e 14 de julho.
 
Segundo pesquisa do Instituto, apenas 6% dos eleitores se sentem representados pelos políticos em quem já votaram. O levantamento é realizado mensalmente desde 2005 para monitorar a opinião pública sobre política, economia, consumo e questões sociais. Foram ouvidos 1,2 mil entrevistados, em 72 municípios. A margem de erro é de três pontos porcentuais para mais ou para menos.
 
Para os 94%, os políticos que estão no poder não representam a sociedade. Apenas 4% acham o contrário. Quem está na oposição também é alvo de desconfiança. Quando a pergunta é sobre os políticos que os entrevistados já votaram em algum momento, 86% dizem não se sentir representados.
 
Desde novembro do ano passado houve queda de nove pontos porcentuais na taxa dos que se consideram representados. A onda de negativismo contamina a percepção sobre a própria democracia: só metade da população considera que esse é o melhor regime para o Brasil, e um terço afirma que não é. Quando os eleitores são questionados especificamente sobre o modelo brasileiro de democracia, a taxa de apoio é ainda mais baixa: 38% consideram que é o melhor regime, e 47% discordam.
 
É quase consensual a noção de que a corrupção é um entrave para que o País alcance um nível mais avançado de desenvolvimento. Nove em cada dez eleitores concordam com as avaliações de que “o Brasil tem riquezas suficientes para ser um país de primeiro mundo”; de que “o Brasil poderia ser um país de primeiro mundo se não fosse a ação da corrupção” e de que “o Brasil ainda pode ser um país de primeiro mundo quando acabar com a corrupção”.
 
Passado pouco mais de um ano das manifestações de massa que culminaram no fim do governo petista de Dilma Rousseff, nada menos do que 81% dos entrevistados pelo Ipsos manifestaram concordância com a afirmação de que “o problema do País não é o partido A ou B, mas o sistema político”.
 
Distância
 
“Segundo a opinião pública, os eleitos não representam os eleitores”, observa Rupak Patitunda, um dos responsáveis pela pesquisa Ipsos. “A democracia no Brasil, desta forma, não é representativa.”
 
Somente um em cada dez cidadãos veem o Brasil como um país onde a democracia é respeitada. Para 86%, isso não acontece. “A própria democracia, o que se espera de seu conceito, não é respeitada”, avalia o pesquisador. “Existe uma expectativa sobre o regime que não é atendida pelos seus clientes.”
 
A percepção de desrespeito às normas democráticas pode estar relacionada à ideia de desigualdade. Para 96% dos entrevistados, todos devem ser iguais perante a lei, mas somente 15% consideram que essa regra é devidamente observada no Brasil.

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