Delação da JBS

"Não renunciarei", diz Temer em pronunciamento à nação

Após delação, ministro Fachin autoriza inquérito contra Temer. Presidente da República agora passa a ser investigado na Operação Lava Jato

Fachin autoriza abertura de inquérito para investigar o presidente Michel Temer. ( Beto Barata/PR )
14:11 · 18.05.2017 / atualizado às 18:53

"Não renunciarei. Exigo investigação". O presidente Michel Temer (PMDB), em curto pronunciamento à nação, na tarde desta quinta-feira (18) disse que não irá renunciar, repudiou a acusação de que teria solicitado pagar pelo silêncio do ex-deputado federal Eduardo Cunha, cassado, e reiterou: "insisto e novamente repito: em nenhum momento, a quem quer que seja, paguei para alguém ficar calado".

Abriu a fala, ressaltando que esta semana vive o melhor (prévia do PIB positiva e quase 60 mil vagas de emprego abertas em abril) e o pior momento do seu governo com a acusação, por meio de gravação e delação, do empresário Joesley Batista, um dos donos e sócios do grupo JBS, à Polícia Federal e Procuradoria Geral da República (PGR).

O presidente chamou as gravações de "clandestinas", afirmou que não tem "nada a esconder" e que, por isso, não precisa de foro privilegiado.

"Não comprei o silêncio de ninguém, porque não temo nenhuma delação premiada. Não preciso de cargo público, nem de foro especial. Não tenho nada a esconder. Sempre honrei meu nome e nunca autorizei que utilizassem meu nome indevidamente. E, por isso, quero registrar enfaticamente que investigação pedida pelo STF será território onde surgirão todas as explicações", completou.

VÍDEO: Veja na íntegra o pronunciamento de Temer

Leia o pronunciamento

Olha, ao cumprimentá-los, eu quero fazer uma declaração à imprensa brasileira e uma declaração ao País. E, desde logo, ressalto que só falo agora - os fatos se deram ontem - porque eu tentei conhecer, primeiramente, o conteúdo de gravações que me citam. Solicitei, aliás, oficialmente, ao Supremo Tribunal Federal, acesso a esses documentos. Mas até o presente momento não o consegui.

Quero deixar muito claro, dizendo que o meu governo viveu, nesta semana, seu melhor e seu pior momento. Os indicadores de queda da inflação, os números de retorno ao crescimento da economia e os dados de geração de empregos, criaram esperança de dias melhores. O otimismo retornava e as reformas avançavam, no Congresso Nacional.

Ontem, contudo, a revelação de conversa gravada clandestinamente trouxe volta o fantasma de crise política de proporção ainda não dimensionada.

Portanto, todo um imenso esforço de retirar o País de sua maior recessão pode se tornar inútil. E nós não podemos jogar no lixo da história tanto trabalho feito em prol do País. Houve, realmente, o relato de um empresário que, por ter relações com um ex-deputado, auxiliava a família do ex-parlamentar. Não solicitei que isso acontecesse. E somente tive conhecimento desse fato nessa conversa pedida pelo empresário.

Repito e ressalto: em nenhum momento autorizei que pagassem a quem quer que seja para ficar calado. Não comprei o silêncio de ninguém. Por uma razão singelíssima: exata e precisamente porque não temo nenhuma delação, não preciso de cargo público nem de foro especial. Nada tenho a esconder, sempre honrei meu nome, na universidade, na vida pública, na vida profissional, nos meus escritos, nos meus trabalhos. E nunca autorizei, por isso mesmo, que utilizassem o meu nome indevidamente.

E por isso quero registrar enfaticamente: a investigação pedida pelo Supremo Tribunal Federal será território, onde surgirão todas as explicações. E no Supremo, demonstrarei não ter nenhum envolvimento com esses fatos.

Não renunciarei, repito, não renunciarei! Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos. Exijo investigação plena e muito rápida, para os esclarecimentos ao povo brasileiro. Esta situação de dubiedade ou de dúvida não pode persistir por muito tempo. Se foram rápidas nas gravações clandestinas, não podem tardar nas investigações e na solução a estas investigações.

Tanto esforço e dificuldades superadas, meu único compromisso, meus senhores e minhas senhoras, é com o Brasil. E é só este compromisso que me guiará. Muito obrigado. Muito boa tarde a todos.

Delação: Fachin autoriza abertura de inquérito para investigar presidente Temer

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de inquérito para investigar o presidente Michel Temer. O pedido de investigação foi feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A partir de agora, Temer passa a ser investigado no âmbito da Operação Lava Jato.

Michel Temer pode ser investigado porque os supostos crimes a ele atribuídos foram cometidos durante o mandato presidencial.

A expectativa no Palácio do Planalto é que o Supremo Tribunal Federal (STF) dê uma resposta “célere” ao pedido de acesso aos áudios do executivo da JBS, Joesley Batista. 

O pedido foi baseado na delação do grupo JBS, que atingiu o governo Temer em cheio. Um dos donos da empresa de proteína animal, Joesley Batista, afirmou em delação à PGR que gravou o presidente Temer dando aval para manter o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em silêncio, por meio de mesadas de R$ 500 mil.

O STF já validou a delação dos empresários, nesta quinta-feira (18).

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