Eleições 2018

Na TV e em jingle, PT fez troca gradual de Lula por Haddad no horário eleitoral

O trecho que diz "Olha Lula lá" foi trocado por "Olha ela lá", referência à estrela do PT.

19:09 · 11.09.2018

 Antes de ser anunciado como candidato à presidência do Partido dos Trabalhadores, o que ocorreu nesta terça (11), Fernando Haddad já vinha consolidando seu protagonismo na campanha do partido para o horário eleitoral obrigatório na TV -ainda que sob o título de vice.

A utilização de imagens suas foi tímida no sábado (dia 1º), o primeiro dia da campanha para a presidência. A data coincidiu com aquela em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base na Lei da Ficha Limpa, barrou a candidatura de Lula. Nesse dia, a Justiça também deu dez dias para que o PT apresentasse novo candidato.

Como a decisão da corte foi emitida na madrugada, não houve tempo de trocar o filme, disseram os advogados do PT, e o ex-presidente acabou ocupando papel central na composição audiovisual que citava a bandeira "Lula Livre" e avaliava como perseguição política sua condição de presidiário.

Também nesta estreia, não ficou cravado em nenhum momento que Lula era candidato a presidente e Haddad a vice. Mas o jingle dizia: "É Lula, é Haddad, é o povo, é o Brasil feliz de novo".

Mudança discreta: na terça (4), foi subtraído da letra o primeiro verbo e ficou: "Lula é Haddad, é o povo", uma construção que torna mais precisa a ideia de que Lula apenas apoia Haddad.

Não foi a primeira vez que o jingle, lançado em junho pelo PT, mudou de forma. "Chama que o homem dá jeito", que chegou a ser usada na sexta, dia 31, com a estreia do espaço televisivo dedicado às campanhas estaduais, virou "Chama que o 13 dá jeito".

A canção, desde seu lançamento, passou por pelo menos três reformulações. Também o trecho que diz "Olha Lula lá" foi trocado por "Olha ela lá", referência à estrela do PT.

As mudanças entre o primeiro e o segundo programa eleitoral do PT seguiram decisão judicial. No domingo (2), o Partido Novo acionou o TSE para pedir a retirada das campanhas do partido por entender que sugeria-se ali que Lula era candidato. A corte acatou e proibiu a reexibição.

Com a decisão, limitou-se também o tempo de participação de Lula no horário eleitoral. Como apoiador, ele poderia aparecer apenas em 25% do tempo total dedicado à coligação.

Na terça (4) e na quinta (6), Haddad já estava abrindo o tempo de televisão concedido ao PT com um discurso que durava 1 minuto e 45 segundos. "Sou Fernando Haddad, candidato a vice-presidente", dizia, antes de reafirmar a estratégia de apontar a prisão de Lula como uma ação política. 

Para defender a tese, a campanha desde o início usou determinação da comissão de direitos humanos da ONU para que a Justiça garantisse os direitos de Lula de ser candidato. A leitura do TSE, porém, foi de que não existe obrigação de cumprimento do que está na documentação, o que é confrontado pelos advogados de Lula. 

A participação de Haddad foi ganhando corpo, mas até sábado (8) cravou-se, na campanha, por escrito ou nas falas do ex-prefeito de São Paulo, que ele era candidato a vice.

Ainda neste sábado, o protagonismo de Haddad nas campanhas de TV ganhou imagens de suas viagens pelo Nordeste e de sua presença em atos de campanha: "Tenho andado por todo o país e cruzado com muitas histórias, é grande a saudade que as pessoas sentem do tempo de Lula", disse ele no vídeo. "Foi Lula quem me deu a missão de rodar o país e conversar com as pessoas", prosseguiu.

No primeiro horário de propaganda desta terça (11), Haddad voltou a assumir papel central na campanha porém omitindo o cargo ao qual é candidato.

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