Eleições 2018

Ministro do TSE defende inconstitucionalidade do voto impresso

Segundo o ministro, "vamos gastar R$ 2 milhões" para instalar um dispositivo na urna que pode ter falhas e invalidar o voto de sessões eleitorais no País

16:44 · 11.05.2018 / atualizado às 16:47 por Estadão Conteúdo
Admar Gonzaga
Para o ministro, o voto impresso é um problema ainda maior do que as chamadas "fake news" na campanha eleitoral ( Foto: Divulgação/ TSE )

O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Admar Gonzaga, defendeu que a Corte julgue inconstitucional a implementação do voto impresso nas eleições brasileiras. Em debate na capital paulista nesta sexta-feira (11), o magistrado afirmou que o mecanismo servirá para "bater palma para perdedor" e gasto com o sistema é excessivo.

"Vamos gastar R$ 2 bilhões, isso me deixa doente, para bater palma para perdedor. Isso não entra na minha cabeça, não convém à democracia e, para mim, é inconstitucional", disse Gonzaga. Ele reforçou a defesa para que o TSE declare o mecanismo inconstitucional.

Segundo Gonzaga, o dispositivo que imprime o voto na urna eletrônica e o armazena, sem exibir o comprovante impresso para o eleitor, pode ter falhas e invalidar o voto de sessões eleitorais no País. "Vai dar problema. Não sei como os brasileiros compraram essa ideia."

Ele exemplificou uma situação em que o aparelho que imprime o voto, corta o papel e o deposita em lugar reservado tenha falhas. Um mesário, nesse caso, poderia abrir o dispositivo para verificar o erro e violar o sigilo do voto do eleitor, alertou o ministro.

Mostrando seu celular, Admar Gonzaga questionou como as pessoas não suspeitam da tecnologia ao fazer transações bancárias pelo aparelho móvel, mas desconfiam da urna eletrônica. "Na urna eletrônica não tem vírus", argumentou.

Para o ministro, o voto impresso é um problema ainda maior do que as chamadas "fake news" na campanha eleitoral. "Não me preocupa a questão da fake news, eu acho que isso vai acabar se resolvendo com tecnologia", disse o magistrado. Os cidadãos, segundo ele, têm condições de buscar ferramentas para identificar notícias falsas durante o processo eleitoral.

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