Contratos Públicos

'Lava Jato interrompeu meu investimento', diz empresário sobre propina a Cabral

O empresário foi denunciado sob acusação de ter pago R$ 16 milhões de propina a Cabral

16:52 · 15.05.2018 por Folhapress
Cabral
Cabral é réu em 23 ações penais sob acusação de cobrar 5% de propina nos grandes contratos do estado ( Foto: Reprodução )

O empresário Marco Antônio de Luca afirmou em interrogatório nesta terça-feira (15) que pagou R$ 2 milhões ao ex-governador Sérgio Cabral (MDB) após ele deixar o Palácio Guanabara, em abril de 2014.

Ele disse que repassou os recursos para o emedebista com a expectativa de que o político o ajudasse em contratos públicos futuros. O dinheiro, disse ele, foi entregue até as vésperas da Operação Calicute, que prendeu Cabral.

"Se ele fizer o [Luiz Fernando] Pezão [governador] vou ter oportunidade? Se ele vier a ser o presidente do Brasil, ele vai me ajudar? A Lava Jato interrompeu meu investimento, vamos dizer dessa maneira", disse de Luca ao juiz Marcelo Bretas.

O empresário foi denunciado sob acusação de ter pago R$ 16 milhões de propina ao emedebista. Ele negou o valor e disse ter passado R$ 2 milhões, metade em 2014 e a outra em 2016.

"Em 2014, ele sai do governo. Nesse momento ele chega para mim e diz: 'Estou precisando que você me dê um dinheiro'. Falou em algo na base de R$ 1 milhão. Deixei de ser amigo e passei a ser um parceiro de negócio", declarou.

Relatório da Polícia Federal aponta que o último pagamento feito por de Luca ocorreu em 9 de novembro de 2016, oito dias antes da prisão de Cabral.

De Luca pediu para ser ouvido de novo por Bretas após ter negado, na audiência anterior, ter pago qualquer valor ao ex-governador.

O empresário declarou que no primeiro mandato de Cabral tinha dificuldades em obter contratos com o estado. Em 2011, ele decidiu alugar uma casa no Condomínio Portobello, em Mangaratiba, onde Cabral também tinha um imóvel.

"Minha casa ficava ao lado da do Fernando Cavendish. Comecei a jogar vôlei com eles, [Luiz Carlos] Bezerra, Wilson [Carlos]. Começamos a criar um vínculo de amizade", disse ele.

De Luca, contudo, negou que Cabral tenha beneficiado sua empresa, a Masan, em contratos com o estado. Ele disse que o primeiro pedido de dinheiro ocorreu apenas ao fim do mandato, e sem uma contrapartida definida.

O ex-governador é réu em 23 ações penais sob acusação de cobrar 5% de propina nos grandes contratos do estado. De Luca negou que lhe tenha sido cobrado esse valor.

O advogado Rodrigo Roca, que defende Cabral, pediu um reinterrogatório do ex-governador para se defender das afirmações do empresário. O emedebista nega ter solicitado propina.

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