Rainha do samba

Ícone do samba, Dona Ivone Lara morre aos 97 anos no Rio

O corpo será velado na manhã desta terça-feira (17) na quadra da Império Serrano, sua escola do coração, em Madureira, na zona norte da cidade

08:11 · 17.04.2018 por Estadão Conteúdo / Agência Brasil
Dona Ivone Lara
Apesar da idade avançada, Dona Ivone era venerada por sambistas de diferentes gerações e chamada de "Rainha do samba" e "Primeira-dama do samba" ( Foto: Portal Brasil )

Uma das pedras fundamentais do samba carioca, autora de clássicos como "Sonho meu" e "Alguém me avisou", a compositora Dona Ivone Lara morreu nesta segunda-feira (16). Ela tinha completado 97 anos no último dia 13. Dona Ivone estava internada com um quadro de anemia na Coordenação de Emergência Regional, anexa ao Hospital Miguel Couto, no Leblon, na zona sul do Rio, e morreu em decorrência de insuficiência respiratória.

O corpo será velado na manhã desta terça-feira (17) na quadra da Império Serrano, sua escola do coração, em Madureira, na zona norte da cidade. O sepultamento está marcado para a tarde, no cemitério de Inhaúma.

A Portela, outra escola tradicional de Madureira, divulgou nota chamando dona Ivone Lara de "patrimônio do Império, da Portela e da cultura brasileira". Considerada um dos maiores nomes da música popular brasileira em todos os tempos, a cantora sempre foi muito ligada também aos compositores da Portela. Era grande amiga de Candeia, Monarco e Paulinho da Viola, por exemplo.

O sambista Dudu Nobre usou o seu perfil em uma rede social para homenagear a artista. "Obrigado por tudo dona Ivone Lara. As bênçãos, os ensinamentos, as conversas, os sambas, a poesia. Descanse em paz, Grande Dama do Samba".

Ícone

Apesar da idade avançada, Dona Ivone, venerada por sambistas de diferentes gerações e chamada de "Rainha do samba" e "Primeira-dama do samba", fez shows há até pouco tempo atrás. Em 2016, celebrou os 95 anos numa apresentação que contou com outros artistas e seu neto André Lara, uma companhia constante. Em 2010, fora homenageada pelo Prêmio da Música Brasileira. A Verde-e-branco, escola de samba do bairro de Madureira, na zona norte do Rio, lhe fez um desfile-tributo em 2012.

Dona Ivone se deslocava de cadeira de rodas e era amparada por familiares. Em suas aparições públicas, estava sempre sorridente e alinhada, onde chegava era ovacionada. O maior parceiro foi Délcio Carvalho, com quem criou, entre muitos sambas, "Sonho meu", "Acreditar", "Minha verdade" e "Em cada canto uma esperança". Ele era 18 anos mais jovem e morreu em 2013. 

A sambista foi gravada por Clara Nunes, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Marisa Monte e outros nomes da MPB. Em rodas de samba cariocas, composições como "Tiê" e "Mas quem disse que eu te esqueço", esta com Hermínio Bello de Carvalho, sempre são lembradas.

Primeira mulher a ganhar uma disputa de samba-enredo numa escola de samba no Rio, em 1965 - "Os cinco bailes da história do Rio" (com Silas de Oliveira e Bacalhau) -, ela era filha de músicos e ligados ao carnaval. Era prima de Mestre Fuleiro, um dos fundadores do Império Serrano, sua escola. 

Vida

Nascida em 13 de abril de 1921, no Rio de Janeiro, dona Ivone Lara compôs seu primeiro samba aos 12 anos, "Tiê, tiê", depois de ganhar de seus primos um pássaro da espécie tiê. Aprendeu a tocar cavaquinho com o tio Dionísio Bento da Silva, que tocava violão de sete cordas e integrava o grupo de chorões que reunia Pixinguinha e Donga.

Sua primeira escola de samba foi a Prazer da Serrinha, que começou a frequentar em 1945 e para quem compunha sambas que eram assinados pelo seu primo Fuleiro, devido ao preconceito contra as mulheres que existia nas agremiações naquela época.

Enfermeira e assistente social, trabalhou com pacientes que tinham doença mental como auxiliar da pioneira psiquiatra Nise da Silveira. Ingressou na Império Serrano em 1965 e gravou seu primeiro disco, "Samba minha verdade, samba minha raiz", em 1974. Ao se aposentar da área da saúde em 1977, passou a se dedicar integralmente à música.

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