Força-tarefa vai investigar crime organizado 24 horas por dia, diz Alckmin - Nacional - Diário do Nordeste

Força-tarefa vai investigar crime organizado 24 horas por dia, diz Alckmin

00h00 | 14.10.2013

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou nesta segunda-feira (14) a criação de uma força-tarefa para investigar as denúncias feitas pelo Ministério Público sobre ações de integrantes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

O anúncio foi feito após uma reunião com a cúpula da polícias Militar e Civil, além das secretarias de Segurança Pública e Administração Penitenciária. O encontro, que tinha como objetivo discutir as recentes ameaças PCC reveladas por uma investigação do Ministério Público, começou por volta das 10h20 e durou cerca de 40 minutos.

Segundo Alckmin, policiais civis e militares, além de promotores, vão atuar 24 horas por dia no Ciisp (Centro Integrado de Inteligência em Segurança Pública) para apurar as denúncias e rastrear as ligações telefônicas entre presos. A ideia também é investigar os policiais suspeitos de envolvimento com o crime organizado.

Promotores denunciaram 175 pessoas sob suspeita de formação de quadrilha e atuação no crime organizado. O Ministério Público ainda pediu o isolamento dos 35 integrantes do PCC no Regime Disciplinar Diferenciado. A Justiça negou a prisão de todos os denunciados e apenas dois criminosos foram isolados. A Promotoria recorreu da decisão.

Nos próximos meses, o Gaeco (grupo que investiga o crime organizado) deverá, juntamente com as corregedorias das polícias, apresentar denúncia contra policiais que, segundo o Ministério Público, foram flagrados em escutas ajudando ou extorquindo os criminosos.
O secretário de Estado da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, disse que pretende agilizar o processo para o afastamento de policiais envolvidos com o crime. "Na Polícia Civil existe uma via rápida para que policiais corruptos sejam afastados. Estamos trabalhando para que esta mesma rapidez seja aplicada na Polícia Militar", disse o secretário.

Hoje, o Ministério Público pediu para que a investigação seja compartilhada com a Secretaria de Segurança Pública. O objetivo é auxiliar a Corregedoria no processo de indiciamento de policiais que tenham qualquer tipo de vínculo com o crime organizado.
O governo sabia das investigações dos promotores, mantida em segredo de Justiça, mas não podia utilizar as informações sem autorização. Com o compartilhamento, a abertura de inquéritos poderá ser mais ágil.

Toda a investigação deve ser entregue ao governo do Estado amanhã. Ao menos cem policiais foram afastados neste ano, acusados de participação e colaboração com facções criminosas.

Bloqueio de ligações deve ser agilizado

O bloqueio de ligações de telefones celulares também deve ser agilizado, segundo o governador. Alckmin disse que vai apressar a realização e conclusão dos pregões eletrônicos para dotar de sistemas anticelular pelo menos três penitenciárias estaduais até dezembro.
"Temos um problema de tecnologia. Foram feitos testes com apoio da Anatel [Agência Nacional de Telecomunicações] para definir a melhor tecnologia que será instalada até o fim do ano", disse o governador.

Durante a maior investigação já realizada contra o PCC em todo o país, o Ministério Público concluiu que a facção tem cerca de 11.400 membros em 22 Unidades da Federação, no Paraguai e na Bolívia -sendo 7.800 em São Paulo, dos quais 6.000 presos, inclusive a cúpula do grupo.

A facção movimenta cerca de R$ 120 milhões anuais. Suas principais fontes de renda são o tráfico de drogas, o pagamento de mensalidades e o sorteio de rifas.

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