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Ex-PM investigado por morte de Marielle diz que família sofre ameaças

A defesa de Orlando Oliveira de Araújo ainda alega que o ex-PM sofreu uma tentativa de envenenamento dentro do presídio de Bangu, onde está preso

08:52 · 16.05.2018 / atualizado às 09:13 por FolhaPress
Ex-PM investigado por morte de Marielle diz que família sofre ameaças
A vereadora Marielle Franco foi assassinada há dois meses no Rio de Janeiro ( Foto: Fabio Café/Anistia Internacional )

O advogado Renato Darlan, que defende o ex-PM Orlando Oliveira de Araújo, suspeito de envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco, afirmou, em entrevista coletiva realizada nesta terça-feira (15), que a família do ex-PM está sendo vítima de ameaças. 

A mulher do suspeito, que pediu para não ser identificada, disse que teve que sair de casa com a família e parentes e que também não está indo trabalhar. Ela relatou que teve uma das cercas elétricas de sua casa cortada.

> Vereador suspeito de participar da morte de Marielle nega envolvimento com milícia

Também conhecido como Orlando de Curicica, Araújo é apontado como membro de uma milícia da zona oeste do Rio e já estava preso preventivamente por um assassinato ocorrido em 2015, além de outros crimes, quando uma testemunha o apontou como um dos mandantes da morte de Marielle. Ele nega. 

Segundo seu advogado, Orlando disse ter sofrido tentativa de envenenamento no presídio de Bangu. "Um carcereiro revelou a ele que ofereceram R$ 1 milhão para envenenar a comida", disse Darlan, afirmando ainda que o suspeito já está sem comer há cinco dias. 

A defesa do ex-PM também pediu, nesta terça, o afastamento do titular da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio, Giniton Lages, que, segundo o defensor, teria "cometido várias ilegalidades", como intimidação e coação de Orlando, para ele assumir a participação no crime. 

"Orlando contou que recebeu a visita do Giniton Lages que o obrigou a assumir o crime. Ele (Giniton) disse que só queria prender o vereador Marcello Siciliano e me daria o perdão legal", afirmou Darlan. Nas palavras do advogado, a suposta intimidação do titular da DH foi um "blefe de iniciante". 

Segundo Darlan, Giniton teria dito a seu cliente que, caso ele não assumisse o envolvimento, Orlando seria imputado em outros dois homicídios, entre eles o de Carlos Alexandre Pereira, um assessor de Siciliano. 

O advogado finalizou a entrevista desta terça dizendo que, em depoimento a ser prestado na quarta (16) à Polícia Civil e ao Ministério Público, Orlando vai revelar informações e nomes que comprometem a tese do envolvimento dele com o assassinato de Marielle.

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