Operação 'Piloto'

Ex-governador Beto Richa (PSDB) é preso pela Lava-Jato no Paraná

A ação tem objetivo de apurar suposto pagamento milionário de vantagem indevida, em 2014, da Odebrecht para agentes públicos e privados do Paraná

07:28 · 11.09.2018 / atualizado às 10:14 por Folhapress
Beto Richa
O tucano é atualmente candidato a uma vaga no Senado Federal ( Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil )

O ex-governador do Paraná Beto Richa, atual candidato ao Senado pelo PSDB, foi preso pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público do estado na manhã desta terça-feira (11). Richa é suspeito de fraude em licitação em obras de estradas rurais no estado.

Também foram presos a mulher dele, Fernanda Richa, e o ex-chefe de gabinete, Deonilson Roldo. Ao todo, 15 pessoas são alvo de mandados de prisão temporária.

O tucano é suspeito de ter participado de fraudes no programa Patrulhas do Campo, de recuperação e abertura de estradas rurais no interior do estado.

"É aquele padrão: licitação dirigida, pagamento de propina e eventual lavagem de dinheiro", afirmou à Folha o procurador de Justiça Leonir Batisti, coordenador do Gaeco, braço do Ministério Público do Paraná.

O Patrulhas do Campo cedia máquinas como escavadeiras, tratores e motoniveladoras a municípios do interior, para a abertura e manutenção de estradas rurais. Pelo menos 2.000 km de estradas foram recuperados ou abertos por meio do programa desde a primeira gestão de Richa, que governou o Paraná entre 2011 e 2018.

Operação Piloto

A gestão de Richa também é alvo nesta terça de uma nova fase da Operação Lava-Jato, conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, batizada de Operação Piloto - em referência ao suposto apelido do ex-governador na planilha de propinas da empreiteira Odebrecht.

A investigação mira pagamentos indevidos de pelo menos R$ 3,5 milhões, em espécie, relativos às obras da rodovia estadual PR-323, no noroeste do Paraná, entre Francisco Alves e Maringá. Segundo a Procuradoria, o valor foi pago em 2014 pela Odebrecht em troca do direcionamento da licitação.

São cumpridos dois mandados de prisão preventiva, um de prisão temporária, além de diversos mandados de busca e apreensão em Salvador, São Paulo, Curitiba e nas cidades paranaenses de Lupianópolis e Colombo.

Um dos líderes do esquema de arrecadação seria Deonilson Roldo - que também estaria coordenando de forma oculta a atual campanha do tucano ao Senado, segundo o Ministério Público Federal.

Roldo é apontado como "o principal operador do esquema de arrecadação de recursos ilícitos de empresas fornecedoras do governo do estado", escreveu o juiz Sergio Moro, em despacho.

O empresário Jorge Theodócio Atherino, por sua vez, que também foi alvo de mandado da PF, é indicado como operador financeiro do ex-governador.

Provas obtidas pela Procuradoria indicam que Roldo se comprometeu a ajudar a Odebrecht no contrato da PR-323, em troca de auxílio na campanha de reeleição de Richa, em 2014. Com o acerto, o ex-chefe de gabinete atuou para afastar as demais empresas interessadas em participar do processo licitatório.

Segundo Moro, ainda há indícios de envolvimento do grupo em outros crimes de corrupção e lavagem: a movimentação financeira das empresas de Atherino chega a R$ 560 milhões, sendo R$ 15 milhões recebidos em espécie.

Entre os destinatários das transações feitas por Atherino, estão Ezequias Moreira Rodrigues, nomeado secretário de Estado por Richa e alvo de outras investigações por suspeita de contratar funcionários fantasmas, além de empresas relacionadas a familiares do ex-governador.

"Não se trata de um crime trivial", escreveu Moro, que qualificou as operações como complexas.

Segundo o Ministério Público, elas envolveram inclusive contas no exterior. Também está sob investigação a possibilidade de que empresas em nome de familiares de Richa tenham sido utilizadas para lavagem de dinheiro.

Além de Roldo e Atherino, também foi alvo da operação da PF Tiago Correia Adriano Rocha, apontado como braço-direto de Atherino e responsável por diversas transações financeiras dos empreendimentos do executivo.

As condutas, segundo a PF, podem configurar os crimes de corrupção ativa e passiva, fraude à licitação e lavagem de dinheiro.

A entrou entrou em contato com a assessoria de Richa, mas não havia manifestação sobre as acusações até o início desta manhã.

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