Ferreira Master

Escola onde mãe PM matou ladrão contrata reforço tecnológico e equipe de psicólogos

Seguranças particulares, monitores de vigilância e uma equipe de psicólogos foram estratégias adotadas para tentar diminuir o impacto nas crianças e evitar novos episódios

23:00 · 14.05.2018 por Folhapress
PM SP
O ladrão, que veio a óbito, foi alvejado com três tiros por uma PM que estava de folga e levava a filha à escola ( Foto: reprodução )

A neta do aposentado Nicanor de Paula, 60, não foi para a escola na manhã desta segunda-feira (14). Dois dias antes, a menina de 5 anos cumprimentava o porteiro do colégio Ferreira Master, em Suzano (na Grande SP), quando um assaltante apareceu armado. Era véspera do Dia das Mães, e as imagens da tentativa de assalto foram assunto nas redes sociais no final de semana.

Antes de o ladrão ser alvejado por três tiros por uma PM que estava de folga e levava a filha à escola, a menina saiu correndo assustada e se escondeu atrás de uma caçamba ao lado da mãe.

"Temos evitado o assunto em casa. Quando ela começa a contar, falamos de outra coisa para ver se ela esquece", diz o avô. A menina foi passar o dia na casa de um parente "para quebrar a rotina".

Assim como o aposentado, os professores da escola particular decidiram seguir a mesma estratégia para ajudar as crianças a lidar com a cena.

No início das aulas nesta segunda, invariavelmente, o caso era tema de conversas entre os alunos do ensino fundamental. Professores foram orientados a cortar o assunto e argumentar que, quanto menos se falar, mais fácil esquecer o que aconteceu.

Auxílio policial

A direção da escola pediu reforço no policiamento, mas informou aos pais que a PM se negou a deixar um carro em frente ao portão por falta de veículos disponíveis.

A Secretaria de Segurança Pública informou que irá disponibilizar uma viatura para fazer a segurança da porta da escola. Um carro da polícia passou três vezes em frente à escola no horário de entrada e saída de alunos, no fim da manhã desta segunda-feira (14).

Reforço particular

Seguranças particulares foram contratados e montaram guarda na esquina, e psicólogos também foram acionados para conversar com as crianças. Técnicos de uma empresa de segurança também foram contratados para instalara monitores de vigilância.

Apesar das mudanças na rotina, os pais tentavam manter a normalidade ao levar as crianças para a aula. "Mostrei o vídeo para minha filha saber que a violência existe e não é exagero de mãe", diz a servidora pública Rita Canton, 44, sobre a conversa que teve com a filha de 9 anos sobre o assalto.

A técnica de enfermagem Marta Arcangelo, 33, preferiu buscar o filho de 12 anos na escola, em vez de deixá-lo voltar para casa sozinho de ônibus, como está acostumado. "Pedi licença no trabalho para poder buscá-lo pelo menos nesta semana."

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