eleições 2018

Candidatos rompem trégua a Bolsonaro após atentado

Após o ataque à Bolsonaro seus opositores vinham contendo algumas críticas, mas nesta segunda-feira (10) alguns candidatos fizeram comentários sobre o representante do PSL

21:43 · 10.09.2018 / atualizado às 21:48 por Folhapress
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Bolsonaro lidera as pesquisas de intenção de voto, seguido por Ciro e Marina, tecnicamente empatados ( Foto: Arquivo )

 O cessar-fogo ao candidato do PSL ao Planalto, Jair Bolsonaro, foi rompido nesta segunda-feira (10), quatro dias após o atentado com faca contra o deputado federal, pelos adversários Ciro Gomes (PDT) e Henrique Meirelles (MDB).

Enquanto Ciro disse, em comício em Mauá (SP), que Bolsonaro "representa um risco muito grave para a nação brasileira", Meirelles afirmou que o capitão reformado "vai ter que aprender a respeitar mulher, sim".

Desde que o candidato do PSL foi gravemente ferido durante um evento de campanha em Juiz de Fora, seus opositores vinham contendo as críticas ao posicionamento de Bolsonaro, que segue internado.

O tucano Geraldo Alckmin, por exemplo, suspendeu no fim de semana os ataques na propaganda eleitoral e substituiu por uma propaganda em que se apresenta como o candidato da "pacificação" do país.

Nesta segunda, Ciro disse que o ataque a faca contra Bolsonaro foi um crime "absolutamente intolerável", mas que é preciso identificar o que é "sentimento cristão de solidariedade" e o que é "decisão do futuro do país".

"Ele representa um pensamento de uma revolta muito zangada, muito extremista, muito radical, e o Brasil, a maioria do nosso povo, quer uma solução equilibrada que encerre essa confrontação miúda que está empurrando o país para trás", afirmou, acrescentando depois que o posicionamento de Bolsonaro "é muito estimulante à violência".

Ainda no comício, Ciro disse representar o caminho "que deixa os extremos de lado, encerra essa luta fratricida entre coxinhas e mortadelas e propõe restaurar a esperança pelo trabalho, pela produção".

Segundo a reportagem apurou, a ideia da campanha de Ciro, daqui para frente, é reforçar a imagem de que o candidato está fora da disputa entre radicais de direita e esquerda e que é o nome para unificar o país.

Nas últimas semanas, no entanto, o pedetista não demonstrou nenhuma empatia com um dos lados, ao classificar os eleitores de Bolsonaro como "inimigos da pátria" e "o lado mais truculento e egoísta da sociedade".

Alckmin, por sua vez, voltou a dizer, em visita a Santos nesta segunda (10), que o próximo presidente não pode ser mais um problema para o Brasil. "Precisamos de equilíbrio, diálogo e união nacional para fazermos reformas inadiáveis", afirmou.

Meirelles, candidato do MDB, ponderou que é preciso fazer "manifestação de respeito" a Bolsonaro, mas disse que, "depois, com o problema da saúde do candidato resolvido", as ideias dele serão combatidas.

"Independentemente da situação pessoal, ele [Bolsonaro] vai ter que aprender a respeitar mulher, sim, porque quando eu for presidente da República, nós vamos exigir o respeito a todos os gêneros. Mulheres e todas as raças serão respeitadas", disse o ex-ministro da Fazenda durante o evento de campanha em Parelheiros, bairro da periferia na zona Sul de São Paulo.

Meirelles argumenta que "o povo brasileiro tem direito de ser esclarecido e ter informação". Segundo ele, não se pode deixar que a emoção encubra os fatos.

"Temos que ter emoção, sim. Respeito, muito. Agora, a verdade tem que ser dita."

A candidata da Rede, Marina Silva, voltou a criticar o discurso do uso da violência para combater a violência, mas sem citar Bolsonaro.

"A melhor forma de se sentir seguro é não incitando o ódio. Eu prefiro sofrer uma injustiça do que praticar uma injustiça. E é por isso que sou tão bem recebida, mesmo por aqueles que não votam em mim", afirmou, em Salvador.

Marina também fez um paralelo entre a campanha presidencial de 2014, segundo ela marcada pela violência política e pela desconstrução de biografias, e a de 2018, manchada pela "violência de fato" -lembrando o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), os tiros contra a caravana do ex-presidente Lula no Paraná e o atentado a Bolsonaro.

Ciro Gomes disse acreditar que o impacto do atentado contra Bolsonaro não vai ter uma influência central "daqui a uma semana, duas semanas". "Daqui a pouco vai ficar muito claro que é só um momento emocional, compreensível, legítimo, coerente com a vida brasileira, e o debate vai voltar ao sei leito normal", disse.

Bolsonaro lidera as pesquisas de intenção de voto, seguido por Ciro e Marina, tecnicamente empatados.

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