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Candidatos ao Planalto contestam declarações do general Villas Bôas

Neste domingo (9), o comandante do Exército lamentou o clima de radicalismo no País e afirmou que "a legitimidade do novo governo pode até ser questionada"

10:31 · 10.09.2018 / atualizado às 10:50 por Estadão Conteúdo
Candidatos ao Planalto contestam declarações do general Villas Bôas
O general Villas Bôas disse que o atentado ao candidato Bolsonaro "materializa" o temor de que a intolerância afete a governabilidade do próximo presidente ( Foto: Marcelo Camargo/EBC )

Candidatos à Presidência da República reagiram às declarações do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo publicada neste domingo (9). O general lamentou o clima de radicalismo no País e afirmou que "a legitimidade do novo governo pode até ser questionada".

"Quem for eleito, vai ter grande legitimidade", afirmou o candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, Geraldo Alckmin. Segundo o tucano, as declarações do general "não podem ser tiradas de contexto". Alckmin falou no domingo, antes de participar do debate da TV Gazeta, Estado, Jovem Pan e Twitter promovido em São Paulo.

O presidenciável do PDT, Ciro Gomes, disse que ficou "incomodado" com a fala do comandante do Exército. "Tenho pelo general Villas Bôas um apreço pessoal. A mim incomoda muito esse tipo de declaração, mas sei que ele só faz isso para segurar os cachorros agressivos à sua subordinação", afirmou o candidato, que também participou do debate em São Paulo.

A entrevista de Villas Bôas também foi alvo de críticas do deputado estadual e candidato a senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho mais velho do presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro. "É a opinião dele. Eu não acho que o País está dividido. O País está, mais do que nunca, unido em torno de Bolsonaro e será no primeiro turno", disse Flávio, após discursar em evento do partido no Rio.

Villas Bôas disse que o atentado a Bolsonaro durante evento de campanha em Juiz de Fora (MG) "materializa" o temor de que a intolerância afete a governabilidade do próximo presidente. "Sobre o Bolsonaro, ele não sendo eleito, ele pode dizer que prejudicaram a campanha dele. E, ele sendo eleito, provavelmente será dito que ele foi beneficiado pelo atentado, porque gerou comoção. Daí, altera o ritmo normal das coisas", declarou o general.

"Eles queriam matar o meu pai para tirá-lo da disputa, mas não foi a facada, ele não vai ser eleito por causa da facada, ele tomou a facada porque já estava eleito", afirmou o filho do candidato a presidente do PSL.

O PT classificou a fala do comandante do Exército como "grave episódio de insubordinação". "É uma manifestação de caráter político, de quem pretende tutelar as instituições republicanas. No caso específico, o Poder Judiciário, que ainda examina recursos processuais legítimos em relação ao ex-presidente Lula" afirmou o partido, por meio de nota.

O general também questionou o parecer do Comitê de Direitos Humanos da ONU que defende a candidatura de Lula, condenado e preso na Operação Lava-Jato, nestas eleições. "É uma tentativa de invasão da soberania nacional", afirmou Villas Bôas. "Depende de nós, brasileiros, permitir que ela se confirme ou não. Isso é algo que nos preocupa porque pode comprometer nossa estabilidade as condições de governabilidade e de legitimidade do próximo governo", disse o comandante do Exército sobre o parecer.

"As Forças Armadas não têm que ser comentaristas de política", afirmou o candidato do PSOL ao Palácio do Planalto, Guilherme Boulos.

'Recado'

Oficiais generais das três Forças procurados pela reportagem do Estado evitaram fazer comentários sobre a entrevista, sob a justificativa de que "o recado já foi dado" e que não cabem mais declarações. "Quem é o PT para falar de democracia? O general Villas Bôas falou o que tinha de ter falado. Quem está ameaçando a democracia é quem está se negando a cumprir a lei e não quem está cumprindo a lei", disse um general quatro-estrelas.

Todos concordaram que o momento pede serenidade e que os ânimos precisam se "acalmar" para que se evite mais ódio. "O futuro presidente precisará de estabilidade, porque vai governar para os dois lados", declarou um deles. 

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