PRÉDIO-SP

Bombeiros encontram restos mortais nos escombros de prédio que desabou

Segundo o tenente do Corpo de Bombeiros Guilherme Derrite, foram recolhidos uma arcada dentária e parte de um rosto

18:38 · 06.05.2018 / atualizado às 18:41 por FolhaPress
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Ao todo, mais de 1.000 toneladas de entulho já foram retirados do local, uma média de 250 toneladas por dia. Foto: Agência Brasil

Os bombeiros encontraram neste domingo (6) restos mortais nos escombros do edifício Wilton Paes de Almeida, no largo do Paissandu, em São Paulo, que desabou após incêndio na terça-feira (1º).Segundo o tenente do Corpo de Bombeiros Guilherme Derrite, foram recolhidos uma arcada dentária e parte de um rosto próximo ao local onde o corpo de Ricardo Oliveira Galvão Pinheiro, conhecido como Tatuagem, foi encontrado na sexta-feira (4).

"Essas partes provavelmente são do Ricardo e foram encaminhadas para exame no Instituto Médico Legal", disse Derrite. De acordo com o tenente, uma corda também foi encontrada no local, o que, para os bombeiros, representa outro indício de os restos mortais são de Ricardo.

"As pequenas partes encontradas são importantes porque são indícios. Pode ser do Ricardo ou de outra pessoa, é um processo cirúrgico", afirmou Derrite.Oficialmente, os bombeiros trabalham com cinco desaparecidos: Selma e seus dois filhos gêmeos e um casal de sem-teto. A Prefeitura de São Paulo também diz que ainda não localizou o paradeiro de 49 moradores cadastrados que habitavam a ocupação popular antes da tragédia. 

Neste domingo, 49 bombeiros trabalham no sexto dia de buscas. A equipe é dividida em duas frentes: uma de combate o incêndio, que faz o controle do rescaldo, e outra de buscas nos escombros. O uso de maquinário pesado, como escavadeiras, foi intensificado. Segundo Derrite, o fato de ser domingo e de ter menos carros nas ruas acelera o trabalho dos bombeiros.

"Os caminhões que vão para os aterros e fazem descarga dos entulhos vão e voltam em uma velocidade muito superior ao que fizeram, por exemplo, na sexta-feira", disse. "É aí que o trabalho rende mais".Ao todo, mais de 1.000 toneladas de entulho já foram retirados do local, uma média de 250 toneladas por dia.

BUSCAS

Na sexta-feira (4), os bombeiros localizaram o primeiro corpo, de Ricardo Oliveira Galvão Pinheiro, conhecido como Tatuagem, que era resgatado quando o prédio desabou. A polícia disse que, após ouvir uma testemunha, concluiu que um curto-circuito no quinto andar, provocado por excesso de aparelhos ligados em uma tomada foi a causa do fogo no prédio. No local havia quatro pessoas: marido, mulher e duas filhas. 

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, uma pessoa prestou depoimento na sexta no 3º DP (Campos Elíseos). Um inquérito também foi instaurado no Deic  (Departamento Estadual de Investigações Criminais) para apurar a cobrança de aluguel dos moradores de ocupações do centro de São Paulo. 

O desabamento provocou ainda a interdição de cinco imóveis em seu entorno, sendo quatro prédios e uma igreja. Segundo a Defesa Civil, todos os bloqueios são totais e não há previsão de liberação. Não foi encontrado risco iminente de colapso em nenhum deles, mas eles seguem monitorados pelo órgão.

Um desses imóveis é o edifício Caracu, localizado na rua Antônio de Godói, que foi liberado para a entrada de moradores pela primeira vez nesta sexta-feira. As pessoas puderam retirar pertences pessoais, como documentos e medicamentos, mas não puderam permanecer no local. 

Também estão interditados uma igreja, no número 34 da av. Rio Branco; um prédio, no largo do Paissandu, 132; e um edifício fino da Antônio de Godói, que ficou com marcas das chamas em sua fachada. Essa última construção conta como duas interdições por ter duas numerações (8 e 26).

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