Solidariedade

Aldo Rebelo se lança candidato a presidente com críticas à prisão de Lula

Seu novo partido, o Solidariedade, o terceiro no intervalo de cerca de seis meses, apoiou a queda de Dilma Rousseff e se aliou a legendas críticas ao PT

19:54 · 16.04.2018 por Folhapress
Rebelo
Rebelo deixou o PSB depois da filiação do ex-ministro do Supremo, Joaquim Barbosa ( Foto: Arquivo )
Ex-ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff, o ex-deputado Aldo Rebelo, 62, se lançou candidato à Presidência da República nesta segunda-feira (16) com críticas à prisão dele e ao impeachment dela.
 
Seu novo partido, o Solidariedade, o terceiro no intervalo de cerca de seis meses, apoiou a queda de Dilma Rousseff e se aliou a legendas críticas ao PT. Ele relativizou a mudança.
 
"Se eu for fazer política olhando para o passado, eu vou, como a mulher de Ló, virar estátua de sal", justificou.
 
"Vivemos hoje um processo de olhar para a frente. Muitos dos que foram a favor do impeachment hoje apoiam a luta pela libertação do ex-presidente Lula", disse o ex-ministro, que disse considerar a prisão injusta.
 
"O Lula é preso porque a Justiça, infelizmente, e é isso desde a fundação da República, é protagonista importante nos momentos de luta política", afirmou. Questionado se o petista era um preso político, titubeou. "Vou pensar."

Aldo Rebelo x Joaquim Barbosa
 
Rebelo deixou o PSB depois da filiação do ex-ministro do Supremo, Joaquim Barbosa, cotado para também disputar a Presidência. Sorriu com ironia ao se referir à "ilustre figura".
 
"A ironia que eu faço é porque não qual programa ele vai defender", afirmou. Disse que sua filiação e as conversas sobre eventual candidatura foram "meio nebulosas".
Em evento na sede do Solidariedade, em São Paulo, Rebelo fez um discurso pregando consensos. Foi chamado pelo deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, presidente da legenda, de "um comunista quase capitalista".

Aliança com Rodrigo Maia cogitada
 
Rebelo, próximo do também presidenciável Rodrigo Maia (DEM), não descartou compor chapa como vice. Negou-se a dizer que ofertas recebeu, tanto para ser vice quanto de potenciais vices. Mas sinalizou que sustentará a campanha até pelo menos junho.
 
"A pesquisa do Datafolha confirma a fragmentação. Terá mais força o candidato que tiver capacidade de unir forças heterogêneas."

Candidatura à esquerda
 
Filiado por 40 anos ao PCdoB, Rebelo tem longa trajetória na esquerda. Foi presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), em 1980, e da Câmara dos Deputados, de 2005 a 2007, além de ministro da Defesa, Ciência e Tecnologia, Esporte e Relações Institucionais (hoje Secretaria de Governo).
 
Situando sua candidatura à esquerda, apesar da guinada partidária, disse que não mudou as convicções. "Sou como as montanhas de Minas. Estou onde sempre estive."

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