Após paralisação

Novo consórcio assume obras da Transposição

Ministério da Integração assina ordem de serviço para a conclusão do trecho que traz ao Ceará águas do São Francisco

Novo consórcio é escolhido após empresa Emsa ter comunicado sua incapacidade financeira para concluir serviços; rescisão foi anunciada em abril ( FOTO: ANDRÉ COSTA )
00:00 · 05.05.2018 / atualizado às 00:11

Brasília. O Ministério da Integração Nacional informou, na sexta-feira, que as obras paralisadas do trecho do projeto de Transposição do Rio São Francisco vão ser retomadas nas próximas semanas após a assinatura de ordem de serviço com um novo consórcio. Em menos de dois anos, será a terceira empresa diferente a tentar concluir as obras do Eixo Norte.

"Mais de 1.200 profissionais estarão em campo nas próximas semanas para garantir que as águas cheguem ao Ceará até o mês de agosto. Para acelerar o cronograma, várias frentes de serviço serão abertas simultaneamente, inclusive em períodos de 24 horas", garantiu o comunicado do ministro Pádua Andrade.

O Ministério da Integração Nacional autorizou o consórcio Ferreira Guedes - Toniolo, Busnello a assumir as obras remanescentes da Meta 1N do empreendimento. Segundo o governo federal, o Eixo Norte, já com 96% das obras finalizadas, irá garantir o abastecimento de mais de 7 milhões de pessoas em 223 municípios nos estados do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Do total de beneficiados, 4,5 milhões somente na Região Metropolitana de Fortaleza, segundo o comunicado.

"A construtora começará pelos pontos de obras mais complexos do trecho: a terceira estação de bombeamento (EBI-3) e o túnel Milagres. A EBI-3 é a maior estação elevatória de toda a Integração do São Francisco. São 90 metros de altura. É o equivalente a elevar o volume de água de uma piscina olímpica - a cada segundo- à altura de um prédio de 30 andares. Nossa expectativa é de acionar essa estrutura até o mês de junho".

As obras desse trecho já passou pelas mãos de diversas construtoras. Em junho de 2016, a Mendes Júnior comunicou sua incapacidade técnica e financeira em executar os seus dois contratos. Além disso, a empresa deixou dívidas milionárias com fornecedores de alimentos, aluguel de veículos, empresários do ramo de hospedagem, entre outros serviços. O grupo cobrava cerca de R$ 24 milhões.

Após ser anunciado vencedor do processo de licitação em fevereiro de 2017, o Consórcio Emsa-Siton teve que aguardar a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carmén Lúcia, suspender, no dia 20 de junho, a decisão pelo desembargador federal Souza Prudente, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), que impedia a continuidade das obras. As contrações só iniciaram em julho, e a obra foi retomada em agosto.

Em vários trechos, a obra ainda apresentava um número reduzido de trabalhadores e vegetação tomando conta do canal, em Salgueiro (PE), por exemplo. Já em Penaforte, duas pontes sobre a mesma rodovia precisam ser construídas, mas só uma delas havia sido iniciada. Lá, é onde se concentra mais atividades atrasadas.

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