Lava-Jato

Nova operação mira PT e MDB

A força-tarefa investiga propinas de R$ 200 mi da Odebrecht a políticos do MDB e do PT na 51ª fase, chamada “Déjà Vu”

00:00 · 09.05.2018
Sérgio Moro
No despacho que autorizou a operação, juiz Sérgio Moro disse que há provas de pagamentos a Cunha e Alves, alvos de outras investigações da Lava-Jato ( Foto: AFP )

São Paulo. Três ex-executivos da Petrobras e três operadores financeiros, um deles ligado ao MDB, foram presos, ontem, na 51ª fase da Operação Lava Jato, batizada de “Déjà Vu”. 

A investigação aponta para um suposto pagamento de propina equivalente a R$ 200 milhões entre 2010 e 2012 pela construtora Odebrecht a políticos do MDB e do PT para obter um contrato com a Petrobras de US$ 825 milhões. 

Por ordem do juiz Sérgio Moro, da 13.ª Vara Federal de Curitiba, foram cumpridos mandados no Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo contra alvos investigados por corrupção, associação criminosa, fraudes em contratações públicas, crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro, entre outros delitos.

Os ex-executivos Aluísio Teles Ferreira Filho, Ulisses Sobral e Rodrigo Pinaud, todos vinculados à Diretoria Internacional da Petrobras, além do operador Ângelo Lauria, foram alvos de prisão preventiva. 

Outro operador, Sérgio Boccaleti, foi alvo de prisão temporária – que tem prazo de cinco dias. 

O único mandado de prisão não cumprido foi o de Mário Miranda, operador ligado ao MDB, segundo os investigadores. Os procuradores do Ministério Público Federal haviam alertado que era “concreto o risco de fuga” dele, já que ele tem residência em Portugal. 

O suposto pagamento de propinas relacionado ao contrato de U$ 825 milhões entre a Odebrecht e a Petrobras, citada por delatores da construtora, é objeto de investigação pela Procuradoria-geral da República. O ex-presidente da Odebrecht Engenharia Industrial Márcio Faria, por exemplo, descreveu uma reunião de executivos da empreiteira com políticos do MDB, entre eles, o presidente Michel Temer e ainda o deputado cassado Eduardo Cunha (RJ). Segundo o delator, no encontro, em 2010, teria sido acertada propina de R$ 40 milhões ao partido. 

O valor era referente a 5% do contrato da Odebrecht com a estatal. A reunião, segundo ele, era para que Temer “abençoasse” o compromisso. Os recursos desviados, segundo os investigadores, seriam de US$ 24 milhões pagos aos três ex-executivos e de US$ 30 milhões destinados ao MDB e ao PT, além de valores ainda não rastreados. Os citados não comentaram as suspeitas.A

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