Fernando Segovia

Nomeação de ex-chefe da PF vira alvo de investigação

00:00 · 05.05.2018

Brasília. A Procuradoria da República no Distrito Federal vai investigar se houve irregularidade na nomeação do ex-diretor-geral da Polícia Federal (PF) Fernando Segovia como adido da corporação na Itália. O ex-chefe da PF foi demitido do cargo de diretor-geral em fevereiro e nomeado na nova função pelo governo do presidente Michel Temer em tempo recorde, apenas dois dias depois da exoneração.

Normalmente, o período protocolar para a nomeação de um adido é de dois meses. Além disso, segundo as normas da própria PF, Segovia só poderia ocupar o novo cargo no exterior em 2020. Segundo o Ministério Público, trata-se de um procedimento preliminar de "levantamento de informação" ou, no jargão técnico, "notícia de fato". Segovia ficou à frente da PF por 111 dias e saiu após uma série de polêmicas envolvendo as investigações sobre o presidente Michel Temer (MDB-SP).

O ex-diretor-geral ficou marcado por suas declarações ao tentar desqualificar o episódio envolvendo o ex-assessor pessoal de Temer, o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, flagrado pela PF correndo pelas ruas de São Paulo arrastando uma mala com R$ 500 mil. O dinheiro da mala seria parte de uma propina milionária endereçada a Temer pelo grupo J&F. Mas, para o então diretor-geral, a mala de propina não provava nada.

Segovia também se desgastou no cargo ao antecipar o suposto arquivamento do inquérito que investiga Temer por negócios suspeitos no setor portuário. O caso não só não foi arquivado, como continua avançando contra o presidente, seus familiares e empresários.

Segundo o Itamaraty, todos as indicações para o cargo de adido são primeiro informadas ao Ministério das Relações Exteriores. Posteriormente, há uma comunicação à embaixada brasileira em Roma e uma consulta ao governo italiano. Mas nada disso aconteceu. A nomeação foi feita diretamente por Temer e pelo ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann. O ministro das Relações Exteriores, a quem cabia dar seguimento ao trâmite, sequer foi consultado.

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