comprovantes de locação

MPF reitera 'falsidade' em recibos de ex-presidente

Procuradores do caso consideram como sendo de caráter 'inverossímil', o depoimento feito pelo contador do petista

Defesa de Lula apresentou em 2017, como originais, os documentos referentes a um imóvel supostamente alugado por Marisa Letícia ( Foto: Reprodução da web )
00:00 · 13.01.2018

Brasília/Porto Alegre. A Força-Tarefa da Operação Lava-Jato contesta a versão apresentada pelo contador João Muniz Leite em depoimento no mês passado, quando ele foi ouvido pelo juiz Sérgio Moro sobre o caso dos recibos do apartamento alugado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva do empresário Glaucos Costamarques, apontado como laranja do petista.

Neste ação penal, Lula é acusado de ter recebido propina da Odebrecht por meio da compra do apartamento, cuja propriedade teria sido ocultada por intermédio de Costamarques - primo de José Carlos Bumali, que é pecuarista e amigo de Lula. O ex-presidente nega as acusações.

O Ministério Público Federal apresentou as alegações finais sobre a veracidade dos recibos de aluguel. Para os procuradores, o depoimento do contador é "inverossímil". Mais uma vez, eles disseram que é "óbvio" que os documentos são falsos e não fazem prova de pagamento.

João Leite afirmou a Moro que foi duas vezes ao Hospital Sírio Libanês em 3 e 4 de dezembro para visitar Costamarques, que estava internado na unidade. O contador contou que na primeira visita foi apenas como "amigo" de Costamarques.

No dia seguinte, porém, João Leite disse que aproveitou para pegar assinaturas que faltavam nos recibos de aluguel de Costamarques para atender seu rito de organização dos documentos de seus clientes. O contador, que era responsável pelas declarações de imposto de renda de Costamarques e de Lula, afirmou que tinha apreço pelo empresário e que o considerava "como se fosse um pai". "É, no mínimo, inusitada a cena de o contador ter diligenciado para obter assinatura de locador, durante período de internação hospitalar. Recibos de aluguel são assinados de maneira gradual. A assinatura em bloco, numa mesma ocasião e, ademais, em um leito hospitalar, de recibos referentes a um período longo de locação (todos os recibos de 2015, além de diversos de 2014) escapa a essa situação de normalidade", diz o MPF nas alegações finais ao juiz.

Julgamento

A agenda da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, prevê uma reunião na segunda-feira, com o presidente do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4), desembargador Federal Thompson Flores.

Um dos assuntos será o julgamento de Lula no dia 24. Flores pediu, na sexta, "manifestações pacíficas" no julgamento.

Já o Movimento Vem Pra Rua divulgou a relação de cidades onde vai promover no próximo dia 23 o Ato em Defesa da Justiça para pedir "Lula na cadeia". Fortaleza está na lista. Não está prevista manifestação em Porto Alegre, onde petistas planejam formar uma corrente de apoio.

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