Em delação homologada

Maggi é acusado de obstruir justiça

00:00 · 12.08.2017
 

São Paulo. Em delação premiada homologada na quarta-feira (9) pela Justiça, o ex-governador do Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB) acusa o ministro da Agricultura Blairo Maggi de pagar R$ 3 milhões para que um ex-secretário mudasse a versão de um depoimento dado à Justiça e o inocentasse de uma acusação de compra de vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE).

A revelação foi feita na edição da sexta-feira (11) do Jornal Nacional, da TV Globo. O suposto crime faz referência a fatos ocorridos em 2009, quando Maggi era governador do Mato Grosso e Silval, seu vice. Ex-secretário de Finanças do estado, Éder Moraes denunciou ao Ministério Público que os dois políticos sabiam de um esquema de corrupção para compra de vagas no TCE e que ele pretendia assumir uma delas. Depois de fazer a denúncia, ainda de acordo com a delação a que o JN teve acesso, Moraes procurou Maggi e Silval e disse que retiraria as acusações se recebesse R$ 12 milhões.

Silval contou à Justiça que os dois concordaram em pagar R$ 3 milhões cada um a Moraes. O dinheiro de Maggi teria sido entregue em dinheiro vivo entre 2014 e 2015 por uma pessoa chamada Gustavo Capilé. Silval afirmou que sabe disso porque o pagamento foi pago pelo próprio Maggi. A parte de Silval teria sido entregue, em dinheiro vivo, pelo seu chefe de gabinete, Silvio Cesar Corrêa Araújo. Os advogados de Araújo disseram que ele só “ cumpria ordens”.

Segundo o JN, Silval relata, em sua delação, um repasse de R$ 4 milhões ao deputado federal Carlos Bezerra (PMDB-MT), para que apoiasse uma candidatura à Prefeitura de Cuiabá. 

O ex-governador também falou de pagamento de propina ao senador Wellington Fagundes (PR-MT). Em resposta, senador declarou que desconhece o teor das afirmações do ex-governador à Justiça. A assessoria de Maggi afirmou que nunca atuou ou autorizou atuação de alguém para “agir de forma ilícita”.

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