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'Lula é candidatíssimo', diz Leonardo Boff

Após visitar petista no cárcere, teólogo conta que ex-presidente "quer voltar ao poder"; STF julga pedido de soltura

00:00 · 08.05.2018

Curitiba. O ex-presidente Lula, preso há um mês na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR), reafirmou sua candidatura por meio de recado transmitido pelo teólogo Leonardo Boff, ontem. "Lula mandou recado dizendo que é candidatíssimo e que só vai renunciar à candidatura no dia em que o Moro trouxer uma única prova de que ele é dono do tríplex", disse o teólogo a jornalistas.

Boff encontrou o ex-presidente na tarde de ontem sob a justificativa de que se trataria de uma visita religiosa. As visitas a Lula têm sido negociadas entre a defesa e a Polícia Federal. O advogado do ex-presidente, Cristiano Zanin, também esteve na PF.

O teólogo afirmou que Lula está entusiasmado e que a situação de solitária faz com que o ex-presidente leia e reflita muito. Segundo Boff, ele disse que quer ser presidente para radicalizar o processo de dignificação e cidadania dos invisíveis, a grande maioria do país.

"Ele quer voltar ao poder para dar centralidade às políticas brasileiras para os pobres".

Boff também disse que Lula, ao mesmo tempo, está indignado frente ao acúmulo de mentiras. "Não quero meu neto olhando para mim e dizendo 'meu avô é um ladrão'. Nunca fui", o ex-presidente teria afirmado a ele.

O teólogo disse considerar o petista como alguém que está aprofundando sua trajetória e se colocando em um nível maior, acima de brigas jurídicas. Ele comparou o momento de Lula a situações já vivenciadas por líderes mundiais como Nelson Mandela e Gandhi. "Se não morri de fome aos cinco anos, aprendi a resistir e estou aqui resistindo", Lula teria afirmado. O ex-presidente também teria dito que a vocação de sua vida é lutar, por si mesmo e pelos outros.

Pedido de soltura

A defesa de Lula protocolou um pedido para que ele permaneça preso na PF em Curitiba e não seja transferido, como pediu à Justiça a própria Superintendência da PF na cidade.

Já a Segunda Turma do STF segue julgando um recurso que pode conceder liberdade a Lula, no plenário virtual, desde a sexta passada. Dois (relator Edson Fachin e Dias Toffoli) dos cinco ministros da Turma votaram contra o recurso da defesa.

Já o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, deu depoimento, ontem, ao juiz Sérgio Moro, como testemunha de defesa, sobre o caso do sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), objeto de uma das ações penais em que o petista é réu.

Okamotto afirmou que Lula pensava em comprar o sítio para dar de presente à dona Marisa. Questionado pela advogada do empresário Fernando Bittar, dono oficial do sítio, Okamotto confirmou que o tema foi tratado em um almoço, ao qual não esteve presente. Okamotto disse também que parte do acervo presidencial do petista após o término de seu mandato ficaria no imóvel. "Teve um almoço. Lula, Kalil, Fernando, não sei se o Fábio também. Esse tema tinha sido tratado. O presidente Lula, já há algum tempo, achava que tinha que comprar o sítio como presente para dona Marisa. Ele tinha um pouco de dúvida, mas tinha essa impressão", afirmou.

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