Após recusa de Cármen

Lula apela a Fachin contra prisão

Defesa do ex-presidente tenta, novamente, obter um habeas corpus com ministro do STF, que rejeitou pedido há 1 mês

Mais cedo, o advogado do ex-presidente da República, Sepúlveda Pertence, se encontrou com a presidente do Supremo, Cármen Lúcia ( Foto: Folhapress )
00:00 · 15.03.2018

Brasília. O PT aumentou, ontem, a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar impedir a prisão do ex-presidente Lula. Sem espaço de negociação com a presidente da Corte, Cármen Lúcia, os petistas passaram a focar no ministro Edson Fachin, que é relator de um habeas corpus para tentar garantir a liberdade do ex-presidente

Pela manhã, o advogado de Lula e ex-ministro do STF, Sepúlveda Pertence, admitiu a mudança da estratégia após se encontrar com Cármen Lúcia. "Temos que trabalhar agora junto ao ministro Fachin", disse.

Cerca de 20 deputados do PT também se reuniram a presidente do Supremo no fim da tarde. O líder do partido na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RJ), entregou um documento à ministra a favor de Lula e que, segundo ele, foi assinado por líderes de 13 partidos, totalizando o apoio de 306 deputados.

Além da pressão política, a defesa de Lula protocolou um novo pedido para que Fachin reconsidere a decisão liminar que negou o habeas corpus de Lula, em fevereiro e suspenda a ordem de prisão contra o petista até que as ações que discutem o cumprimento de sentença após condenação em segunda instância sejam discutidas no plenário.

Já o desembargador João Pedro Gebran Neto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, decidiu ontem que a defesa de Lula será notificada 48 horas antes do julgamento decisivo para o petista, quando devem ser analisados seus recursos.

No dia 24 de janeiro, o TRF-4 condenou Lula a 12 anos e 1 mês de prisão na ação penal envolvendo o tríplex no Guarujá (SP).

O juiz Sérgio Moro já liberou o edital para o leilão do tríplex por R$ 2,2 milhões, no dia 15 de maio pela internet. Ontem, o ex-senador e delator Delcídio do Amaral afirmou a Moro que o sítio em Atibaia (SP), objeto de outra ação penal contra Lula, sempre foi conhecido como propriedade do ex-presidente.

Zelotes

Já o juiz Vallisney Oliveira, da 10ª Vara Federal, de Brasília, remarcou para o dia 21 de junho, às 9h, o interrogatório de Lula e de seu filho Luiz Cláudio. Os dois são réus na Operação Zelotes, acusados por "negociações irregulares que levaram à compra de 36 caças do modelo (sueco) Gripen pelo governo brasileiro e à prorrogação de incentivos fiscais destinados a montadoras".

A defesa havia pedido adiamento. O juiz deu prazo de cinco dias para que a defesa entregue a tradução dos documentos de diligências feitas no exterior.

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