Pés e mãos acorrentados

Juízes cobram explicação sobre algemas em Cabral

00:00 · 23.01.2018

Curitiba/Rio de Janeiro. Os juízes federais Sergio Moro e Caroline Vieira cobraram ontem da Polícia Federal explicação sobre "as condições em que ocorreu a transferência" do ex-governador Sérgio Cabral (MDB) para Curitiba. Na última sexta-feira (19), o emedebista foi obrigado a usar algemas nas mãos e correntes nos pés ao chegar na capital paranaense. O uso de algemas em situações de exposição pública não vinha ocorrendo com presos da Lava-Jato no Paraná, operação deflagrada há quase quatro anos.

No despacho, Moro intima "a autoridade policial para, em contato com a escolta, esclarecer o ocorrido e os motivos da utilização das algemas nas mãos e pés do condenado em questão naquele episódio".

No Rio, a juíza substituta de Marcelo Bretas, que está de férias, pediu também à PF esclarecimentos "a fim de que este juízo possa avaliar a configuração de possíveis excessos ou irregularidades durante o procedimento".

O ex-governador foi fotografado caminhando com dificuldade ao chegar ao Instituto Médico Legal (IML).

Justificativa

A Polícia Federal afirmou, via assessoria de imprensa, que a entrada do IML tem o acesso aberto ao público, o que motivou o uso das algemas para proteger Cabral ou pessoas que estivessem próximas e pudessem se desentender com o ex-governador. O objetivo, diz a assessoria, era evitar qualquer reação mais forte do emedebista.

Contudo, a força-tarefa da Lava-Jato do Rio, que também encaminhou aos procuradores do Ministério Público Federal no Paraná (MPF) ofício em que requer que apurem o uso de as algemas e correntes na condução de Cabral, elaborou documento, assinado por dez procuradores do Rio, em que eles ressaltam não ser Cabral um preso "com histórico de violência física".

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.