de cunha e temer

Joesley diz que pagou R$ 170 mi a esquema

Empresário revelou que propina era paga ao grupo do presidente em troca de liberação de empréstimos na Caixa

00:00 · 20.05.2017 / atualizado às 01:02
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Eduardo Cunha integrava o grupo do presidente Michel Temer encarregado de obter propina com a JBS, segundo delator ( Foto: Lula Marques )

Brasília. No acordo de delação premiada homologada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), Joesley Batista, do grupo JBS, afirmou ter pago, de 2011 a 2016, R$ 170 milhões de propina para "um time", como definiu, que tinha o ex-deputado Eduardo Cunha e o então vice- presidente Michel Temer, e cujo esquema era operado pelo doleiro Lúcio Funaro.

A quantia foi paga, segundo Joesley, para que os empréstimos às suas empresas fossem liberados na Caixa Econômica Federal. Funaro e Cunha estão presos em Curitiba após serem acusados na Operação Lava Jato.

O esquema teria tido início, de acordo com o empresário da JBS, para a aprovação em um conselho da Caixa para a liberação de R$ 940 milhões do fundo FI-FGTS para a construção da empresa Eldorado.

Em 2011, Funaro teria pedido para um amigo em comum dele e de Joesley, Paulo Sergio Formigoni, apresentá-lo ao dono da JBS.

O doleiro então teria dito que sabia do pedido de empréstimo no fundo e oferecido ajuda "para aprovar o negócio", já que havia uma pessoa deles lá, o ex-vice-presidente da Caixa Fabio Cleto.

No segundo encontro de Joesley e Funaro, dois dias depois, o dono da JBS contou que o doleiro falava sempre em nome de Eduardo Cunha, com quem dizia "operar" junto.

"E eu nunca tinha ouvido falar. E nunca tinha visto um deputado tão importante quanto a importância que ele dava a esse deputado", diz Joesley em seu depoimento. Segundo o empresário, ele e Cunha só se conheceriam em 2013.

Caixa Econômica

Questionado se Funaro falava em nome de algum outro político além de Cunha, Joesley respondeu: "Ele sempre falava Eduardo Cunha e Michel, Michel Temer, o atual presidente. Ele sempre dizia: 'eu falo em nome do Eduardo, e o Eduardo é da turma do Michel, vice-presidente'. E na época eu tava começando a conhecer e achava que como vice-presidente o Michel não tinha tanta importância, tanto poder. Mas como presidente do PMDB ele tinha bastante relevância. Que ele não era presidente do PMDB, mas tinha influência fortíssima, era líder do PMDB na Câmara".

Passado um tempo desse acerto inicial, Joesley disse que Funaro teria lhe procurado novamente para falar que agora eles teriam "tomado a Caixa", não só conselho do FI-FGTS. "De 2011 a 2013 só com o Lúcio. Em 2013 foi quando conheci o Eduardo, até numa situação lá no Ministério da Agricultura. Foi quando eles encamparam o Ministério da Agricultura. Eles vinham tomando terreno, o grupo. Encampou o FI-FGTS, a Caixa, e aí o Ministério da Agricultura".

Em sua delação, Joesley afirma que a partir de 2013 teria passado a se encontrar com Cunha e que o então deputado teria a lista de todas as operações do empresário. "Ele sabia tudo da minha vida", disse.

Segundo o empresário, quando a Polícia Federal fez uma operação de busca e apreensão na casa de Cunha, o ex-deputado teria lhe chamado para mostrar os documentos que teriam alguma informação sobre os negócios com ele e que haviam sido recolhidos e devolvidos.

"Eu não entendi aquilo, mas falei: beleza. Sei que fui folheando e tinha lá contrato social da holding nossa, não sei o que aquilo tava fazendo na casa dele, tinha lista de operações não só nossas, mas de outras empresas, um monte de coisas da minha vida", contou Joesley. "Ele sabia tudo".

Braço direito

Em delação ao Ministério Público, o diretor de Relações Institucionais e de Governo da JBS, Ricardo Saud, relatou, no último dia 7, que o grupo pagou R$ 80 milhões para a campanha do então candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves.

Principal braço direito de Joesley Batista, dono da JBS, nas negociações com políticos do governo ou da oposição, Saud não deu detalhes sobre a forma do repasse ao tucano, mas disse que as "questões" eram na maioria das vezes "ilícitas".

O delator contou que Joesley sempre "correu" do candidato. "Ele (Aécio) continuou pedindo mais dinheiro após a campanha", relatou.

Saud ainda contou que um homem de prenome Fred era o interlocutor de Aécio para receber o dinheiro, sempre em shopping center movimentado.

O dinheiro era guardado por Fred numa mochila de cor preta. Uma pessoa próxima de Aécio conhecida por Fred é o primo dele Frederico Pacheco de Medeiros, preso no âmbito das investigações nesta quinta-feira, 18. O delator ainda contou que pagava "propina" a dois intermediários de Eduardo Cunha, Altair e Lúcio Funaro.

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