Multa

JBS terá de pagar R$ 250 milhões

00:00 · 19.05.2017 / atualizado às 01:49
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Guido Mantega teria intermediado repasse de propina da JBS para o PT, segundo Joesley ( Foto: Reuters )

São Paulo. O acordo fechado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, do grupo JBS, com o Ministério Público Federal, prevê imunidade total para eles.

Os procuradores se comprometeram a nem sequer abrir um processo pelos crimes que os empresários relataram, em que expuseram centenas de políticos, funcionários públicos e ex-parceiros. Além disso, a multa acertada gira em torno de R$ 250 milhões, número considerado baixo, dado o porte da empresa e as cifras bilionárias já acertadas com outras empresas envolvidas na Lava-Jato.

As condições "suaves" do acordo chegaram a provocar indignação em pessoas que já fizeram negócios com o grupo, que acreditam que os crimes cometidos deveriam ter alguma punição, por menor que fosse. Os empresários também tiveram permissão para continuar comandando os negócios. Mas as condições do acordo podem mudar caso deixem de prestar alguma informação sobre irregularidades.

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As irregularidades cometidas pelo grupo envolvem principalmente a compra de apoio político, mas suspeitas de outras condutas pouco ortodoxas ainda são relatadas, mesmo depois de os empresários já terem negociado uma delação premiada. Desde a semana passada, segundo informações de três mesas de operação de câmbio, a JBS e pessoas ligadas à empresa começaram a comprar dólar.

Na quarta-feira, às vésperas da divulgação da delação, a aquisição teria chegado acerca de US$ 1 bilhão. Não há confirmação oficial. Mas, somente de quarta para ontem, se compraram de fato os dólares com base em uma informação que só eles tinham, ganharam mais de 8%.

Propinas

O crescimento do JBS, cujo faturamento saiu de R$ 4 bilhões para R$ 170 bilhões em dez anos, tem uma relação muito direta com a relação que a empresa tinha com políticos. Só em doações oficiais, foram uns R$ 400 milhões na eleição de 2014. Mas as denúncias dizem que o grupo pagava outros tantos milhões em propinas por empréstimos da Caixa, ou obter uma medida provisória favorável.

Foi assim que Joesley estabeleceu relação com Eduardo Cunha e o corretor Lúcio Funaro, considerado o operador do ex-presidente da Câmara. Mas as conexões iam além: nos governos petistas, passavam por Antônio Palocci e, mais tarde, por Guido Mantega. "Joesley era assim, se ele sabia que o político podia resolver a vida dele, ele colava no cara. E era colar mesmo. Ligava todo dia", diz um ex-parceiro de negócios do empresário. Assim, foi obtendo bilhões do BNDES, de fundos de pensão, que ajudaram no início da expansão acelerada da JBS.

Leniência

Além de acordos de delação envolvendo sete executivos, a JBS negocia também acordo de leniência (delação premiada da pessoa jurídica) no Brasil e nos EUA. Envolvidos nas investigações relataram, ontem, que houve uma reunião em São Paulo entre representantes da empresa e procuradores que negociam a leniência no Brasil.

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