Ex-secretário de obras

Governador do RJ é alvo de delação

00:00 · 28.04.2018
Pezão
Governador Luiz Fernando Pezão e outras autoridades são citados em proposta de delação premiada ( Foto: AFP )

Rio de Janeiro. A proposta de delação do ex-secretário de Obras do Rio de Janeiro Hudson Braga atinge o governador Luiz Fernando Pezão (MDB), o antecessor Sérgio Cabral (MDB), e ao menos dois pré-candidatos à sucessão do Palácio Guanabara.

Braga afirmou ter repassado recursos em dinheiro para o senador Romário (Podemos) e o deputado federal Índio da Costa (PSD), ambos analisando uma candidatura ao governo estadual. Disse também que fazia pagamentos mensais de R$ 100 mil a Pezão. Braga era braço direito de Pezão desde 2007.

Os anexos para uma eventual colaboração foram entregues à equipe do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot há mais de um ano. As negociações, contudo, ainda avançaram pouco com Raquel Dodge, atualmente no cargo. De acordo com Braga, o governador tem cerca de R$ 5 milhões em dinheiro guardados na empresa JRO Engenharia, enviadas para o local em troca de notas promissórias. Seriam recursos acumulados da mesada de R$ 100 mil arrecadados junto a empreiteiras.

A JRO Engenharia pertence a Cláudio Fernandes Vidal, que transferiu sua sede para Piraí em 2005 após aproximação com Pezão. Os dois ficaram amigos. A empresa contratou em 2014 o escritório de advocacia do filho de Pezão, Roberto Horta, para defendê-lo em ações trabalhistas. O governador sempre negou conflito de interesses.

Segundo Braga, Romário recebeu R$ 3 milhões para apoiar Pezão na eleição de 2014. No encontro, segundo o relato de Braga, o senador indicou o valor necessário levantando três dedos, temendo ser gravado.

Já Índio da Costa cobrou R$ 30 milhões para apoiar a reeleição de Pezão, de acordo com a proposta de delação. Parte do valor, R$ 4 milhões, foi entregue a Ronaldo Cezar Coelho, segundo Braga. O ex-secretário de Obras diz ainda que deputados da base do governo na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) dividiam um valor R$ 3 milhões em propina por mês. O responsável pela distribuição era o então presidente da Casa, Paulo Melo (MDB), atualmente preso.

Outro citado na proposta de Braga foi o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). Ele disse que o petista apoiou Pezão em troca do governo do Rio assumir dívidas da Prefeitura de Nova Iguaçu, à época comandada por Lindbergh, com empreiteiras. Desta forma, a Odebrecht viabilizou o repasse recursos para a campanha do petista ao Senado.

Índio da Costa negou ter negociado apoio com o MDB. O senador Romário declarou que já solicitou à PGR e ao STF para que torne público qualquer inquérito contra ele. Pezão, Cabral e Lindbergh não se pronunciaram. A defesa de Braga afirmou que não iria comentar o caso.

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