após desabamento

Famílias fogem e deixam animais

00:00 · 02.05.2018 / atualizado às 00:18

São Paulo. A dona de casa Fabiana Ribeiro, 38, só pensou em sair correndo quando viu as labaredas de fogo caindo da ocupação onde ela, a filha, a neta e o marido moravam, no primeiro andar do edifício Wilton Paes de Almeida. "Ouvi um 'bum' seguido de outro 'bum'. Catei minha neta, gritei para o meu marido e minha filha e saímos sem nada, mas com a nossa vida de lá".

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Fabiana Ribeiro, 38, sobrevivente do incêndio Diego Maia Foto da Fabiana, que sobreviveu ao incêndio. Fabiana e o marido, Romário Santos da Silva, 24, acompanhavam atentos, na manhã deste 1º de Maio, os trabalhos do Corpo de Bombeiros que moviam os escombros em busca de possíveis sobreviventes. "Só sobrou isso que você está vendo", aponta Fabiana para o pijama que vestia. Ela afirmou que a família morava na ocupação há dois anos. O prédio de 24 andares, segundo Fabiana, era ocupado até o 10 andar porque, sem elevador em operação, ninguém se atrevia a morar nos pavimentos mais altos. O cotidiano na ocupação vai deixar saudade, diz. "Eu tinha tudo o que vocês têm: geladeira, aparelho de TV, água e luz. Tinha vizinho que instalou até wi-fi".

Bichos

Deitada em um colchão doado, a auxiliar de limpeza Marta da Cruz, de 54 anos, olhava para canto nenhum. "Não consegui pensar em nada", ela diz, ainda atônita com o incêndio. "Deixei celular, dinheiro, tudo".

Uma gatinha, de 1 ano, chamada Menina, também ficou para trás. "Tentei pegá-la, mas ela corria", diz Marta. Vestida com uma calça de gari, que usava de pijama, a desempregada Jéssica Matos, de 20 anos, teve menos sorte: não conseguiu resgatar o seu cachorro, Spyke, e nem os oito gatinhos "Acordei com a minha mãe gritando: 'É fogo! É fogo!'", diz. "Fui tentar salvar o cachorro, mas ele, com medo, correu para baixo da cama".

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