Esquema de propina

Ex-secretário diz ser alvo de calúnia

00:00 · 30.04.2018
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Ex-secretário de Segurança do Rio, José Beltrame teria recebido R$ 30 mil por mês, segundo delator ( Foto: José Leomar )

 

Rio de Janeiro. O ex-secretário estadual de Segurança do Rio José Mariano Beltrame divulgou nota ontem (29) negando ter recebido propina do esquema de corrupção do ex-governador Sérgio Cabral.

Reportagem do jornal “O Globo” publicada ontem afirma que o economista Carlos Emanuel Miranda, apontado como um dos principais operadores de Cabral, relatou em delação premiada pagamentos mensais de R$ 30 mil ao ex-secretário estadual.

A delação de Miranda foi homologada pelo ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), de acordo com a reportagem. Beltrame foi o responsável pela implantação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) durante os dez anos em que esteve à frente da pasta, até 2016 –oito no governo Cabral e dois no de Luiz Fernando Pezão, ambos do MDB.

Em fevereiro, Beltrame, que é delegado da Polícia Federal, foi cotado por Michel Temer para assumir o Ministério Extraordinário da Segurança Pública. A pasta acabou sendo assumida por Raul Jungmann, à época ministro da Defesa.

A delação de Miranda, que está preso desde 2016, foi encaminhada para o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal, responsável pela Lava Jato fluminense, que prendeu Cabral em 2016.

Em nota, o ex-secretário da Segurança disse que o relato é uma história “fabricada por alguém que está coagido e, sabe-se lá porque, usando meu nome para jogar fumaça sobre os próprios dramas”. Afirmou ainda que mal conhece Miranda, delator que “corre o risco de passar os próximos 20 anos na cadeia”.

Beltrame disse que já foi caluniado outras vezes por ter sido inquilino de um assessor de Cabral, Paulo Roberto, que, segundo Miranda, seria o intermediário do ex-secretário para receber a propina. “Oportunistas de plantão usaram e abusaram dessa história do imóvel, tentando fazer de meu inquilinato uma prova contra minha honestidade. Fui caluniado algumas vezes. Com os recibos de aluguéis e minhas declarações de Imposto de Renda, venci todas as ações no Judiciário, com direito a indenizações reparatórias”, afirmou.

Para o ex-secretário, a delação é fantasiosa. “Além de fantasiosa, não tem pernas. São as únicas metáforas que encontrei para substituir o já tão desgastado ‘absurdo’.”

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