Entidades divulgam nota de indignação

00:00 · 05.09.2018 / atualizado às 00:15
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Em meio a protestos, mais entidades comentaram a destruição do acervo e cobraram medidas para “salvar a ciência, a tecnologia e a inovação” ( foto: AFP )
Rio de Janeiro. A Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e mais outras 38 outras sociedades científicas divulgaram, ontem, um manifesto de “tristeza e indignação” pelo incêndio que destruiu a maior parte do acervo do Museu Nacional, no Rio. 

Intitulado “A Vida e a Morte da Ciência e da Memória Nacionais”, o documento pede “a reconstrução de uma ideia que o fogo não devora”.

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As entidades lembram que é impossível reconstruir as coleções perdidas ou recuperar os “tesouros históricos e científicos que têm alimentado a pesquisa nessa instituição”. Mas, recomendam, é preciso reconstruir um “museu que sirva de referência para as futuras gerações, repetindo a fórmula que esteve presente na sua história, de um acervo histórico e científico apoiado na pesquisa científica, reunindo, assim, indissoluvelmente, a memória e a investigação, o passado e o futuro”.

As organizações recomendam que, além de se liberar recursos para garantir a segurança do imóvel atual, é preciso “estabelecer locais de trabalho adequados para os pesquisadores” e a ampliação do museu, deslocando do palácio, para outros prédios em terreno próximo, as atividades administrativas, de pesquisa, de guarda de coleções e de ensino de pós-graduação. 

“As chamas que devoraram o Museu Nacional enviaram uma mensagem de alerta para a sociedade brasileira. É fundamental que sejam tomadas ações adequadas e urgentes para salvar a ciência, a tecnologia e a inovação no País. Urge impedir que essas chamas se alastrem e consumam o futuro do Brasil”.

Arquitetos

Em nota, o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) chamou a tragédia de “irreparável” perda.

“O IAB conclama a sociedade e as instituições preocupadas com a preservação da nossa cultura e da nossa memória a exigir da Presidência da República e do Congresso Nacional a imediata criação de um fundo permanente, gerido pelo IPHAN e pelo IBRAM, que garanta a manutenção dos museus nacionais e a preservação do nosso patrimônio cultural, independentemente dos interesses políticos de cada momento”, reivindicou.

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