Eike Batista é investigado em operação da PF - Nacional - Diario do Nordeste

TOQUE DE MIDAS

Eike Batista é investigado em operação da PF

12.07.2008

Polícia Federal foi até a sede da empresa de mineração do empresário e apreendeu malote de documentos e HDs

Rio de Janeiro. A semana que começou com a prisão, pela Polícia Federal, do banqueiro Daniel Dantas, terminou com uma operação de busca e apreensão na casa e no escritório do empresário Eike Batista. A investigação, que teve o sugestivo nome de Toque de Midas, apura denúncias de irregularidades em um processo de licitação envolvendo empresas de Eike no Amapá, além de sonegação de impostos e extração ilegal de ouro.

Os policiais chegaram nas primeiras horas da manhã à escondida e arborizada rua onde Eike mora no bairro nobre do Jardim Botânico, zona sul do Rio. Mas deixaram o local rapidamente, seguindo para a sede da MMX, empresa de mineração do grupo. ´Não encontramos nada relevante por lá´, revelou um policial, que não quis se identificar, sobre a busca na mansão.

Apreensão

Já na sede da companhia, a situação foi diferente. Depois de mais de seis horas, os cerca de 20 policiais deixaram o local com um malote de documentos e HDs de computadores, que vão ser encaminhados à sede da PF do Amapá para serem analisados. O mandado de busca e apreensão se estendeu à casa do vice-presidente da MMX, Flávio Godinho.

O nome da operação cai como uma luva quando se lembra dos negócios milionários feitos pelo empresário nos últimos anos, como a recente oferta de ações da empresa de petróleo do grupo, a OGX, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Mesmo sem ter um único poço de petróleo sendo explorado, a oferta de ações foi a maior já realizada por uma empresa no Brasil e arrecadou cerca de R$ 7 bilhões.

Assíduo nas páginas do noticiário econômico, Eike ficou conhecido no mercado empresarial por fechar negócios ousados, como a compra por ágios elevados de áreas de exploração de petróleo e gás no último leilão feito pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). A venda de parte de sua empresa de mineração para a gigante do setor Anglo American, por US 5,5 bilhões, também o colocou sob holofotes.

Procurado, Eike Batista não foi localizado pela reportagem. Em nota, a empresa MMX negou qualquer irregularidade na licitação da Estrada de Ferro do Amapá e afirmou não realizar atividades de extração de ouro na região.

Sem preocupações

No comunicado, a empresa informa que não há ordem de detenção ou denúncia criminal contra executivos do grupo e que está à disposição da Justiça para esclarecimentos. ´Neste momento, a empresa reforça o seu propósito de estreita cooperação com qualquer investigação e reafirma a absoluta lisura de suas práticas empresariais, neste e em qualquer outro negócio seu ou de suas coligadas e controladas´.

A notícia sobre a operação da Polícia Federal fez as ações da MMX e da OGX despencarem na Bolsa de Valores de São Paulo. Os dois papéis tiveram perda de quase 10%, o que fez o valor de mercado das companhias diminuírem em cerca de R$ 5,3 bilhões.

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